segunda-feira, 3 de setembro de 2018


FICHA DE INSCRIÇÃO DE ATIVIDADES NA SEMANA DE LETRAS 2018
FICHA DE INSCRIÇÃO
XXVII SEMANA DE LETRAS FEUC 
 09, 10 e 11 de outubro de 2018

TEMA:
A poesia e seus múltiplos diálogos

 1.    INFORMAÇÕES DO AUTOR E DA ATIVIDADE:
Nome completo: MARCELO MOUTINHO
Instituição: ----

Titulação: Marcelo Moutinho é autor dos livros Ferrugem (vencedor do Prêmio da Biblioteca Nacional, Record, 2017), Na dobra do dia (indicado ao Prêmio Oceanos, Rocco, 2015), A palavra ausente (indicado ao Prêmio Portugal Telecom, Rocco, 2011) e Somos todos iguais nesta noite (Rocco, 2006), Memória dos barcos (7Letras, 2001), além do infantil A menina que perdeu as cores (Pallas, 2013).  Organizou diversas antologias, entre elas Conversas de botequim – 20 contos inspirados em canções de Noel Rosa (Mórula, 2017), O meu lugar (Mórula, 2015) e Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), a seleta de ensaios Canções do Rio – A cidade em letra e música (Casa da Palavra, 2010), e o livro Bravo! Especial Literatura e Futebol (Abril, 2010). Seus contos foram traduzidos para França, Alemanha, Estados Unidos e Argentina, entre outros países.
E-mail: moutinhomail@gmail.com
Título da Atividade Proposta: Mesa-redonda “O mundo que se define nas pequenas coisas”
_________________________________________________________________________________
DATA:   (  ) 09   (X  ) 10   (  ) 11   -  Turno:  ( X ) Manhã  (   ) Noite     
RECURSOS:  (   ) Datashow   (  X ) Microfone   (   ) Caixa de Som   (  ) DVD
(  )   Conexão com internet    (  )   TV             (  ) Outros               (  ) Projetor (apenas)
Quais?___________________________________________________________________________

Telefone(s) para contato:
MODALIDADE DA ATIVIDADE: Forneça dados completos dos demais participantes de sua atividade (Palestra / Mesa-redonda / Comunicação Coordenada / Minicurso / Pôster / Oficina / Debate)
(    ) Palestra                (     ) Comunicação                   (     ) Pôster                   
(     ) Oficina                  (  X   ) Mesa-redonda                  (     ) Minicurso 
(     ) Lançamento de livro                                              (     ) Comunicação Coordenada   
(     ) Exibição de Filme e Debate 

INFORMAÇÕES SOBRE O COAUTOR / PARTICIPANTE OU ORIENTADOR (se houver)
Nome: Luiza Mussnich
Instituição: -----
Titulação: Poeta
 (Repita a estrutura acima para informar até 4 coautores/participantes e/ou até dois orientadores diretamente relacionados à mesma atividade).
Apresente a atividade, objetivamente, em até duas frases, para informar, incentivar e direcionar as inscrições dos alunos (as):
O MUNDO QUE SE DEFINE NAS PEQUENAS COISAS

Os escritores Marcelo Moutinho e Luiza Mussnich – ele, contista e cronista; ela, poeta - conversam sobre seus livros, que buscam inspiração na memória e nas miudezas do cotidiano.



 2.    INSERÇÃO DE TEXTO DO RESUMO:

   O texto deve obedecer, rigorosamente, as normas disponibilizadas abaixo, as quais vêm acompanhadas de um resumo-modelo.
COLE ou digite O SEU RESUMO AQUI:


O MUNDO QUE SE DEFINE NAS PEQUENAS COISAS

Marcelo Moutinho e Luiza Mussnich

RESUMO: Na mesa-redonda “O mundo que se define nas pequenas coisas”, os escritores Marcelo Moutinho e Luiza Mussnich – ele, contista e cronista; ela, poeta - conversam sobre seus livros, que buscam inspiração na memória e nas miudezas do cotidiano.

Sobre os autores:
Marcelo Moutinho nasceu no Rio de Janeiro, em 1972. É autor dos livros Ferrugem (vencedor do Prêmio da Biblioteca Nacional, Record, 2017), Na dobra do dia (indicado ao Prêmio Oceanos, Rocco, 2015), A palavra ausente (indicado ao Prêmio Portugal Telecom, Rocco, 2011) e Somos todos iguais nesta noite (Rocco, 2006), Memória dos barcos (7Letras, 2001), além do infantil A menina que perdeu as cores (Pallas, 2013).  Organizou diversas antologias, entre elas Conversas de botequim – 20 contos inspirados em canções de Noel Rosa (Mórula, 2017), O meu lugar (Mórula, 2015) e Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), a seleta de ensaios Canções do Rio – A cidade em letra e música (Casa da Palavra, 2010), e o livro Bravo! Especial Literatura e Futebol (Abril, 2010). Seus contos foram traduzidos para França, Alemanha, Estados Unidos e Argentina, entre outros países. 
Luiza Mussnich nasceu em 1991, no Rio de Janeiro. É jornalista e escritora. Publicou os livros Um dia o amor vai encontrar você (Id Cultural, 2016), Microscópio (7Letras, 2017) e Lágrimas não caem no espaço (7Letras, 2018).

PALAVRAS-CHAVE: Literatura brasileira – Poesia – Prosa – Conto - Crônica

















                
      3.    data limite e local de entrega da ficha preenchida:

A proposta deverá ser enviada ao NEL (Núcleo de Estudos da Linguagem Poeta Primitivo Paes) pelo e-mail: semanadeletras@feuc.br, impreterivelmente, até o dia 15/9/2018, às 23h59min. Propostas entregues após essa data não serão aceitas.


4.    ESPAÇO DESTINADO À APRESENTAÇÃO:
            Os locais de apresentação serão destinados de acordo com o número de inscritos e a disponibilidade dos espaços.

 5.  INFORMAÇÕES, DÚVIDAS E ESCLARECIMENTOS:

            Para sanar as dúvidas, informações ou esclarecimentos, contate os professores do NEL (Fábio – Horários: quarta-feira: 8h20 às 9h20, 11h20 às 12h20 e terça-feira: 18h20 às 20h20 / Tatiana – Horários: terça-feira: 10h às 12h e quinta-feira: 17h às 19h, ou pessoalmente), nos horários de atendimento.

6. NORMAS PARA PUBLICAÇÃO NO CADERNO DE RESUMOS COM isbn:

O resumo deverá ter as seguintes características:

  1. Título em maiúsculas, negrito e centralizado.
  1. Nome do autor e/ou coautor à margem direita, precedido pela titulação e com a filiação institucional entre parênteses indicada abaixo do nome.
  1. Palavras-chave: mínimo de 3 e máximo de 5 separadas por traço.
  1. Língua: Português.
  1. Limite de palavras: mínimo de 100 e máximo de 200.
  1. Formatação: espaço simples; margens: esquerda e superior - 3 cm, direita e inferior - 2 cm; fonte: Times New Roman 11.
  2. As palavras “RESUMO:” e “PALAVRAS-CHAVE:”, devem ser inscritas conforme a grafia assinalada no item 7.

Modelo de resumo (Siga esse padrão, por favor)


ANÁLISE RÍTMICA DE DUAS COMUNIDADES
DE FALA DE LÍNGUA ESPANHOLA

Dr. José Ricardo Dordron de Pinho
(FIC-CPII)

RESUMO: Tradicionalmente, o espanhol tem sido classificado como uma língua de ritmo silábico, ou seja, com isocronia silábica; neste tipo de línguas, as sílabas se repetem em intervalos regulares de tempo, ainda que isto se dê apenas de maneira perceptiva.  Porém, atualmente, as línguas já não são vistas estritamente como silábicas ou acentuais, mas sim como mais silábicas ou mais acentuais.  Além disso, como visto em O’Rourke (2008), as características rítmicas de uma língua podem variar de acordo com a origem geográfica do falante: diferentes dialetos de uma mesma língua não terão, necessariamente, as mesmas características do ponto de vista rítmico.  Este trabalho propõe uma análise rítmica do espanhol em duas de suas variedades, a espanhola e a chilena, com dados de leitura e de fala espontânea.  Buscamos comprovar se ambas realmente possuem isocronia silábica e quais são as especificidades de cada variedade geoletal.  Para tanto, baseamo-nos nas pesquisas prévias de Ramus, Nespor e Mehler (1999), Low, Grabe e Nolan (2000) e Grabe e Low (2002).

PALAVRAS-CHAVE: Isocronia - Línguas de ritmo silábico ou acentual.
























A revisão ortográfica, normativa e gramatical dos resumos é de responsabilidade dos proponentes. 


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ALUNA DO 1º PERÍODO DO CURSO DE LETRAS - MANHÃ, ANA PAULA, CRIA UM CANAL DE HUMOR NO YOUTUBE

Com uma frase que já virou bordão: "COM TODO RESPEITO", Ana Paula Machado, aluna do primeiro período do Curso de Letras - Português/Inglês, manhã, acaba de criar um canal no youtube no qual, com muito humor e irreverência, aborda as manias, os costumes e diversos aspectos da vida pós-moderna.
Os dois primeiros vídeos: "Tutorial para as festas de fim de ano" e "Rede social não é muro das lamentações", já estão fazendo o maior sucesso. Confira os vídeos nos links a seguir.

https://www.youtube.com/channel/UCZtyEyyb0hKs97yhwK8cPqQ 

https://www.youtube.com/watch?v=m1Sm3J10HTI&t=7s






PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO XX FÓRUM DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA - IV SEMINÁRIO INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA - II ENCONTRO DE EMPREENDEDORISMO, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

FEUC
4 h
PROGRAMAÇÃO 2017
EVENTOS INTEGRADOS – FÓRUM DE EDUCAÇÃO (MANHÃ)

07:30 – 8:00
Credenciamento
Local: Corredor principal do auditório FEUC
08:00 – 08:10
Abertura Institucional
Local: Auditório FEUC
08:10 – 10:00
OPÇÃO 1: Acolhimento dos estudantes visitantes (Apresentação das FIC, Palestras e sorteio de bolsas)
Local: Auditório FEUC
OPÇÃO 2: Lançamento do volume 04 (número 05) da KHÓRA: Revista Transdisciplinar dos cursos de Ciências Sociais, Geografia, História e Pedagogia seguida de palestra.
Local: SALA A301
10:00 – 12:00 (OFICINAS)
OPÇÃO 1: Viagens através da contação de histórias
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 2: Contação de História – Obax
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 3: Contação de História: O tambor do mestre Zizinho
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 4: Contação de História: A árvore dos desejos
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 5: Exibição de Artefatos Pedagógicos produzidos em atividades com os anos iniciais
PIBID – Subprojeto Pedagogia
Local: Pátio do Bloco B (em frente à secretaria do CAEL)
30 vagas
OPÇÃO 6: Oficina para confecção da boneca Abayone
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco A (frente das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 7: Peça teatral “Bullying e o racismo nosso de cada dia”
PIBID – Subprojeto Geografia
Local: Auditório FEUC
150 vagas
OPÇÃO 8: Jogos Matemáticos como metodologia de ensino
PIBID – Subprojeto Matemática
Local: Laboratório de Matemática (segundo andar | Bloco B)
30 vagas
OPÇÃO 9: O universo dos quadrinhos em sala de aula – técnicas de leitura e produção
PIBID – Subprojeto História
Local: Sala A301
80 vagas
OPÇÃO 10: Sacopã (re)existe: resgate da história e lutas quilombolas no Rio de Janeiro
PIBID – Subprojeto Geografia
Local: Sala A305 e projetor
50 vagas
OPÇÃO 11: Produção de audiolivro: uma necessidade da escola inclusiva
* Observação: Para participar da atividade, você precisará estar com celular e ter acesso à internet.
PIBID – Subprojeto Português
Local: Sala A303
50 vagas
OPÇÃO 12: Montando oficinas de leitura: relatos sobre a mediação literária no Instituto de Educação Sarah Kubitschek
PIBID – Subprojeto Português
Local: Sala A311
50 vagas
OPÇÃO 13: Os 100 anos da Revolução Russa: da revolução burguesa à revolução socialista, da historiografia à sala de aula.
PIBID – Subprojeto História
Local: Sala A307 e projetor
50 vagas
OPÇÃO 14: Curta-metragem produzido com os estudantes do Centro Interescolar Miécimo da Silva.
PIBID – Subprojeto Ciências Sociais
Local: Auditório CAEL
60 vagas
OPÇÃO 15: Esquete feita pelos estudantes do Centro Interescolar Miécimo da Silva
PIBID – Subprojeto Ciências Sociais
Local: Pátio do Bloco A (frente das faculdades)
30 vagas
OPÇÃO 16: Diversidade sexual e ensino de sociologia: desafios e possibilidades
PIBID – Subprojeto Ciências Sociais
Local: Sala A313 e projetor
50 vagas
OPÇÃO 17: Roda de conversas – reflexos do subprojeto interdisciplinar de Literaturas afro-brasileiras no cotidiano de seus participantes
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Sala A 309 (já tem projetor)
PROGRAMAÇÃO 2017
EVENTOS INTEGRADOS – FÓRUM DE EDUCAÇÃO (NOITE)
18:00 – 18:30
Credenciamento
Local: Corredor de acesso ao Auditório FEUC
18:30 – 19:00
Exibição de Pôsteres Científicos
Local: Pátio do Bloco A (frente das faculdades)
19:00 – 19:10
Abertura Institucional – Professora Célia Neves
Local: Auditório FEUC
19:10 – 20:20
Palestra principal – “Educação como ato político: um balanço desses tempos sem Freire” (Professora Doutora Lana Claudia de Souza Fonseca – UFRRJ / CAPES)
Local: Auditório FEUC
20:30 – 21:50
OPÇÃO 1: Lançamento do volume 4 (Número 5) da Khóra: Revista Transdisciplinar dos cursos de Ciências Sociais, Geografia, História e Pedagogia – Professora Mestra Débora Rodrigues (FIC) e Palestra “A Pedagogia de Paulo Freire e a Educação Contemporânea: Uma análise Crítica” – Professor Especialista Jorge Adriham do Nascimento Moraes.
Local: Auditório FEUC
OPÇÃO 3: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto História) – Coordenação: Prof. Jayme Ribeiro
Mesa 1 – Avaliação em debate: uma experiência no Colégio Estadual Raja Gabaglia.
Mesa 2 – Imaginário estudantil sobre comunismo: uma experiência no Colégio Estadual Raja Gabaglia
Local: Sala A 301
OPÇÃO 4: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Ciências Sociais) – Coordenação Professores Mauro Lopes e Célia Neves
Mesa – O Ensino de Sociologia em construção
Local: Sala B 106 (uso de projetor)
OPÇÃO 5: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Interdisciplinar) – Coordenação Professora Janice Souza
Mesa 1 – As produções do PIBID Interdisciplinar: o blog como plataforma de expressão
Mesa 2: A Literatura Infantil Afro-Brasileira: A bonequinha Abayomi.
Mesa 3: Carta a um escritor sem infância
Local: Auditório CAEL
OPÇÃO 6: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Matemática) – Coordenação Professores Gabriela Barbosa e Alzir Marinhos
Mesa: Ações e impactos do subprojeto de Matemática na realidade pedagógica.
Local: Sala B206
OPÇÃO 7: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Português) – Coordenação professor Erivelto Reis
Mesa: Ações e impactos do subprojeto de Português na realidade pedagógica.
Local: Sala B204
OPÇÃO 8: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Pedagogia) – Coordenação Professoras Claudia Miranda e Luciana Alves
Mesa: Ações e impactos do subprojeto de Pedagogia na realidade pedagógica.
Local: Brinquedoteca (Laboratório do Curso de Pedagogia) – Uso de Projetor.
OPÇÃO 9: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Geografia) – Coordenação Professores Rosilaine Araújo e Isaac Gayer
Mesa: O PIBID na Geografia: a tecnologia como ferramenta de inalienação do espaço geográfico
Local: Sala B210

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Artigo: "Ora, a lei... O que é a lei: o jeitinho e o pistolão flagrados na Literatura brasileira" - Professor Dr. João Cézar de Castro Rocha (UERJ) - Conto: "Suje-se Gordo", de Machado de Assis

O texto a seguir foi reproduzido em virtude da gentileza do autor em autorizar a publicação.
Dr. João Cézar (UERJ)

Eis o texto na íntegra:
Ora, a lei... o que é a lei?
O jeitinho e o pistolão flagrados na literatura brasileira
João Cezar de Castro Rocha
“Suje-se gordo” é um conto pouco comentado de Machado de Assis. Nele, o narrador recorda um caso enigmático, que lhe ocorreu ao participar de um júri. Conheceu então Lopes, “um dos jurados do Conselho”. Jurado inclemente com um réu “acusado de haver furtado certa quantia, não grande, antes pequena”. O veredicto de Lopes vale por um estilo de vida: “Tudo por uma miséria, duzentos mil-réis! Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!”
O advogado de Aécio Neves esclareceu ao Supremo Tribunal Federal que o senador “não pode para fins processuais penais ser tratado como um funcionário público qualquer”. 
 Lopes tinha uma filosofia peculiar: “A ninguém cabia sujar-se por quatro patacas. Quer sujar-se? Suje-se gordo!” Máxima dos que se julgam acima da lei. Reformulo o provérbio: o que faz o ladrão não é a ocasião, porém a soma desviada. Digamos: aquém de dois milhões, sem dúvida culpado; além dessa quantia, por certo inimputável.
No romance de Manuel Antonio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias, as palavras empenho e favor são sinônimos inquietantes, antecipando o jeitinho e o pistolão, no vocabulário nosso de cada dia. Dois personagens se destacam: pai e filho, ambos Leonardo; o progenitor mais conhecido pela alcunha de Pataca, isto é, a pratinha que recebia para cumprir seu encargo de meirinho. Ou, pelo contrário, as patacas que recebia para se esquecer de notificar futuros réus... Personagem-sintoma! O ofício e o vício como duas faces da mesma moeda – literalmente. 
O Senado da República acabou de derrubar decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou Aécio Neves do exercício de seu mandato. Partidário laborioso da “lei de Lopes”, o senador mereceu dos pares os maiores elogios, inclusive pela proverbial prudência mineira. Na hora de escolher a pessoa que receberia a desinteressada ajuda do empresário reconhecido pelo invejável domínio do vernáculo, o senador foi solidário consigo próprio: “— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu”. 
Num instante de transe, quando as travessuras do Leonardo ameaçaram o destino do adorável malandro, sua comadre buscou o temível Major Vidigal, personagem do tempo de Dom João VI. Ela intercedeu a favor do afilhado, mas, para vender caro seu peixe, o major indagou com malícia: “— Bem sei, mas a lei?”. Rápida no gatilho, a mulher venceu o duelo com desassossego: “— Ora a lei... o que é a lei, se o Sr. major quiser?”. 
Ora, a lei... Afinal, se o Supremo Tribunal Federal deixa de ser a última palavra, a jurisprudência da comadre tornar-se-á cláusula pétrea. Pois é: tornar-se-á. Ou: já se tornou?
Em tempo: Fred se chama Frederico Pacheco de Medeiros. Ele é primo do senador Aécio Neves. 
Ainda: o querido Lopes também foi levado ao tribunal, suspeito de “um desvio de cento e dez contos de réis”. Foi absolvido – naturalmente. 
Em poucas palavras, todo um universo (atual): “Quer sujar-se? Suje-se gordo!”



Suje-se Gordo!
Machado de Assis



UMA NOITE, há muitos anos, passeava eu com um amigo no terraço do Teatro de São Pedro de Alcântara. Era entre o segundo e o terceiro ato da peça A Sentença ou o Tribunal do Júri. Só me ficou o título, e foi justamente o título que nos levou a falar da instituição e de um fato que nunca mais me esqueceu.

— Fui sempre contrário ao júri, — disse-me aquele amigo, — não pela instituição em si, que é liberal, mas porque me repugna condenar alguém, e por aquele preceito do Evangelho; "Não queirais julgar para que não sejais julgados". Não obstante, servi duas vezes. O tribunal era então no antigo Aljube, fim da Rua dos Ourives, princípio da Ladeira da Conceição.

Tal era o meu escrúpulo que, salvo dois, absolvi todos os réus. Com efeito, os crimes não me pareceram provados; um ou dois processos eram mal feitos. O primeiro réu que condenei, era um moço limpo, acusado de haver furtado certa quantia, não grande, antes pequena, com falsificação de um papel. Não negou o fato, nem podia fazê-lo, contestou que lhe coubesse a iniciativa ou inspiração do crime. Alguém, que não citava, foi que lhe lembrou esse modo de acudir a uma necessidade urgente; mas Deus, que via os corações, daria ao criminoso verdadeiro o merecido castigo. Disse isso sem ênfase, triste, a palavra surda, os olhos mortos, com tal palidez que metia pena; o promotor público achou nessa mesma cor do gesto a confissão do crime. Ao contrário, o defensor mostrou que o abatimento e a palidez significavam a lástima da inocência caluniada.

Poucas vezes terei assistido a debate tão brilhante. O discurso do promotor foi curto, mas forte, indignado, com um tom que parecia ódio, e não era. A defesa, além do talento do advogado, tinha a circunstância de ser a estréia dele na tribuna. Parentes, colegas e amigos esperavam o primeiro discurso do rapaz, e não perderam na espera. O discurso foi admirável, e teria salvo o réu, se ele pudesse ser salvo, mas o crime metia-se pelos olhos dentro. O advogado morreu dois anos depois, em 1865. Quem sabe o que se perdeu nele!  Eu, acredite, quando vejo morrer um moço de talento, sinto mais que quando morre um velho... Mas vamos ao que ia contando. Houve réplica do promotor e tréplica do defensor. O presidente do tribunal resumiu os debates, e, lidos os quesitos, foram entregues ao presidente do Conselho, que era eu.

Não digo o que se passou na sala secreta; além de ser secreto o que lá se passou, não interessa ao caso particular, que era melhor ficasse também calado, confesso. Contarei depressa; o terceiro ato não tarda.

Um dos jurados do Conselho, cheio de corpo e ruivo, parecia mais que ninguém convencido do delito e do delinqüente. O processo foi examinado, os quesitos lidos, e as respostas dadas (onze votos contra um); só o jurado ruivo estava quieto. No fim, como os votos assegurassem a condenação, ficou satisfeito, disse que seria um ato de fraqueza, ou coisa pior, a absolvição que lhe déssemos. Um dos jurados, certamente o que votara pela negativa, — proferiu algumas palavras de defesa do moço. O ruivo, — chamava-se Lopes, — replicou com aborrecimento:

— Como, senhor? Mas o crime do réu está mais que provado.

— Deixemos de debate, disse eu, e todos concordaram comigo.

— Não estou debatendo, estou defendendo o meu voto, continuou Lopes. O crime está mais que provado. O sujeito nega, porque todo o réu nega, mas o certo é que ele cometeu a falsidade, e que falsidade! Tudo por uma miséria, duzentos mil-réis! Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!

"Suje-se gordo!" Confesso-lhe que fiquei de boca aberta, não que entendesse a frase, ao contrário; nem a entendi nem a achei limpa, e foi por isso mesmo que fiquei de boca aberta. Afinal caminhei e bati à porta, abriram-nos, fui à mesa do juiz, dei as respostas do Conselho e o réu saiu condenado. O advogado apelou; se a sentença foi confirmada ou a apelação aceita, não sei; perdi o negócio de vista.

Quando saí do tribunal, vim pensando na frase do Lopes, e pareceu-me entendê-la. "Suje-se gordo!" era como se dissesse que o condenado era mais que ladrão, era um ladrão reles, um ladrão de nada. Achei esta explicação na esquina da Rua de São Pedro; vinha ainda pela dos Ourives. Cheguei a desandar um pouco, a ver se descobria o Lopes para lhe apertar a mão; nem sombra de Lopes. No dia seguinte, lendo nos jornais os nossos nomes, dei com o nome todo dele; não valia a pena procurá-lo, nem me ficou de cor. Assim são as páginas da vida, como dizia meu filho quando fazia versos, e acrescentava que as páginas vão passando umas sobre outras, esquecidas apenas lidas. Rimava assim, mas não me lembra a forma dos versos.

Em prosa disse-me ele, muito tempo depois, que eu não devia faltar ao júri, para o qual acabava de ser designado. Respondi-lhe que não compareceria, e citei o preceito evangélico; ele teimou, dizendo ser um dever de cidadão, um serviço gratuito, que ninguém que se prezasse podia negar ao seu país. Fui e julguei três processos.

Um destes era de um empregado do Banco do Trabalho Honrado, o caixa, acusado de um desvio de dinheiro. Ouvira falar no caso, que os jornais deram sem grande minúcia, e aliás eu lia pouco as notícias de crimes. O acusado apareceu e foi sentar-se no famoso banco dos réus, Era um homem magro e ruivo. Fitei-o bem, e estremeci; pareceu-me ver o meu colega daquele julgamento de anos antes. Não poderia reconhecê-lo logo por estar agora magro, mas era a mesma cor dos cabelos e das barbas, o mesmo ar, e por fim a mesma voz e o mesmo nome: Lopes.

— Como se chama? perguntou o presidente.

— Antônio do Carmo Ribeiro Lopes.

Já me não lembravam os três primeiros nomes, o quarto era o mesmo, e os outros sinais vieram confirmando as reminiscências; não me tardou reconhecer a pessoa exata daquele dia remoto. Digo-lhe aqui com verdade que todas essas circunstâncias me impediram de acompanhar atentamente o interrogatório, e muitas coisas me escaparam. Quando me dispus a ouvi-lo bem, estava quase no fim.  Lopes negava com firmeza tudo o que lhe era perguntado, ou respondia de maneira que trazia uma complicação ao processo. Circulava os olhos sem medo nem ansiedade; não sei até se com uma pontinha de riso nos cantos da boca.

Seguiu-se a leitura do processo. Era uma falsidade e um desvio de cento e dez contos de réis. Não lhe digo como se descobriu o crime nem o criminoso, por já ser tarde; a orquestra está afinando os instrumentos. O que lhe digo com certeza é que a leitura dos autos me impressionou muito, o inquérito, os documentos, a tentativa de fuga do caixa e uma série de circunstâncias agravantes; por fim o depoimento das testemunhas. Eu ouvia ler ou falar e olhava para o Lopes. Também ele ouvia, mas com o rosto alto, mirando o escrivão, o presidente, o teto e as pessoas que o iam julgar; entre elas eu. Quando olhou para mim não me reconheceu; fitou-me algum tempo e sorriu, como fazia aos outros.

Todos esses gestos do homem serviram à acusação e à defesa, tal como serviram, tempos antes, os gestos contrários do outro acusado. O promotor achou neles a revelação clara do cinismo, o advogado mostrou que só a inocência e a certeza da absolvição podiam trazer aquela paz de espírito.

Enquanto os dois oradores falavam, vim pensando na fatalidade de estar ali, no mesmo banco do outro, este homem que votara a condenação dele, e naturalmente repeti comigo o texto evangélico: "Não queirais julgar, para que não sejais julgados". Confesso-lhe que mais de uma vez me senti frio. Não é que eu mesmo viesse a cometer algum desvio de dinheiro, mas podia, em ocasião de raiva, matar alguém ou ser caluniado de desfalque. Aquele que julgava outrora, era agora julgado também.

Ao pé da palavra bíblica lembrou-me de repente a do mesmo Lopes: "Suje-se gordo!" Não imagina o sacudimento que me deu esta lembrança. Evoquei tudo o que contei agora, o discursinho que lhe ouvi na sala secreta, até àquelas palavras: "Suje-se gordo!" Vi que não era um ladrão reles, um ladrão de nada, sim de grande valor. O verbo é que definia duramente a ação. "Suje-se gordo!" Queria dizer que o homem não se devia levar a um ato daquela espécie sem a grossura da soma. A ninguém cabia sujar-se por quatro patacas. Quer sujar-se? Suje-se gordo!

Idéias e palavras iam assim rolando na minha cabeça, sem eu dar pelo resumo dos debates que o presidente do tribunal fazia. Tinha acabado, leu os quesitos e recolhemo-nos à sala secreta. Posso dizer-lhe aqui em particular que votei afirmativamente, tão certo me pareceu o desvio dos cento e dez contos. Havia, entre outros documentos, uma carta de Lopes que fazia evidente o crime. Mas parece que nem todos leram com os mesmos olhos que eu. Votaram comigo dois jurados. Nove negaram a criminalidade do Lopes, a sentença de absolvição foi lavrada e lida, e o acusado saiu para a rua. A diferença da votação era tamanha, que cheguei a duvidar comigo se teria acertado. Podia ser que não. Agora mesmo sinto uns repelões de consciência. Felizmente, se o Lopes não cometeu deveras o crime, não recebeu a pena do meu voto, e esta consideração acaba por me consolar do erro, mas os repelões voltam. O melhor de tudo é não julgar ninguém para não vir a ser julgado. Suje-se gordo! suje-se magro! suje-se como lhe parecer! o mais seguro é não julgar ninguém... Acabou a música, vamos para as nossas cadeiras.


Texto extraído do livro “Antologia do Humorismo e Sátira”, Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1957, pág. 98, uma seleção de R. Magalhães Júnior.