quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

REFLEXÕES E VIVÊNCIAS DA INICIAÇÃO À DOCÊNCIA

FEUC – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL UNIFICADA CAMPOGRANDENSE
FIC – FACULDADES INTEGRADAS CAMPO-GRANDENSES

PIBID
PROGRAMA INSTITUCIONAL
DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA

I SEMINÁRIO INSTITUCIONAL
PIBID/FIC


Edital 2013


CAPES
 COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO
DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR


 REFLEXÕES E VIVÊNCIAS DA INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
ISBN: 978-85-65705-04-2

Instituição Promotora


Fundação Educacional Unificada Campograndense
Faculdades Integradas Campo-grandenses


Organização

FEUC/FIC


 Dezembro – 2014


DIRETOR
Prof. Me. Hélio Rosa de Araújo
DIRETORA DE ENSINO
Profª. Dra. Arlene da Fonseca Figueira
COORDENADOR ACADÊMICO
Prof. Me. Valdemar Ferreira da Silva

PIBID/CAPES – Edital 2013

COORDENADORA INSTITUCIONAL
Profª. Dra. Maria Licia Torres
COORDENAÇÃO DE GESTÃO
Prof. Me.Valdemar Ferreira da Silva

CONFECÇÃO DO CADERNO DE RESUMOS
Prof. Me. Erivelto da Silva Reis

COMISSÃO ORGANIZADORA
Profª Ma. Célia Regina Neves da Silva
Profª. Ma. Roselaine Souza Araújo
Prof. Dr. Isaac Gabriel Gayer Fialho da Rosa
Profª. Dra. Vivian Cristina da Silva Zampa
Prof. Dr. Jayme Lucio Fernandes Ribeiro
Profª. Dra. Renata de Souza Gomes
Profª Dra. Arlene da Fonseca Figueira
Prof. Me. Erivelto da Silva Reis
Profª Dra. Luiza Alves de Oliveira
Prof. Dr. Marco Antônio Chaves
Prof. Me. Alzir Fourny Marinhos
Profª. Dra. Gabriela dos Santos Barbosa
Profª. Ma. Janice Rosane Silva Souza
Profª. Ma. Norma Maria Jacinto da Silva

I SEMINÁRIO INSTITUCIONAL
PIBID/FIC
Edital 2013

ISBN: 978-85-65705-04-2
1ª edição

06 de dezembro de 2014
(7h30min. às 14h)
Local
Auditório FEUC e Sala 301 A



Rio de Janeiro
Fundação Educacional Unificada Campograndense



2014


FUNDAÇÃO EDUCACIONAL UNIFICADA CAMPOGRANDENSE



PRESIDENTE
Prof. Durval Neves da Silva

DIRETOR SUPERINTENDENTE
Profª. Mônica Cristina de Amaral Torres


FACULDADES INTEGRADAS CAMPO-GRANDENSES

DIRETOR
Prof. Hélio Rosa de Araújo

DIRETORA DE ENSINO
Profª. Arlene da Fonseca Figueira

COORDENADOR ACADÊMICO
Prof. Valdemar Ferreira da Silva

SECRETÁRIA
Profª. Roseli Monteiro da Silva









APRESENTAÇÃO

I SEMINÁRIO INSTITUCIONAL PIBID/FIC
(Edital 2013)

“REFLEXÕES E VIVÊNCIAS DA INICIAÇÃO À DOCÊNCIA”


O I Seminário Institucional PIBID/FIC tem como objetivos socializar e divulgar os resultados iniciais dos subprojetos – Matemática, Letras-Português, Letras-Inglês, Geografia, História, Ciências Sociais, Pedagogia e Interdisciplinar das Faculdades Integradas Campo-Grandenses, no ano de 2014, além de promover o estudo, o debate e a troca de experiências a partir das pesquisas promovidas no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência.




PIBID – PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA

O Pibid é uma iniciativa para o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica.
O programa concede bolsas a alunos de licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência desenvolvidos por Instituições de Educação Superior (IES) em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino. Os projetos devem promover a inserção dos estudantes no contexto das escolas públicas desde o início da sua formação acadêmica para que desenvolvam atividades didático-pedagógicas sob orientação de um docente da licenciatura e de um professor da escola.

OBJETIVOS DO PROGRAMA
·         Incentivar a formação de docentes em nível superior para a educação básica;
·         contribuir para a valorização do magistério;
·         elevar a qualidade da formação inicial de professores nos cursos de licenciatura, promovendo a integração entre educação superior e educação básica;
·         inserir os licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação, proporcionando-lhes oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem;
·         incentivar escolas públicas de educação básica, mobilizando seus professores como coformadores dos futuros docentes e tornando-as protagonistas nos processos de formação inicial para o magistério; e
·         contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura.





COMO FUNCIONA?

Instituições de Educação Superior interessadas em participar do Pibid devem apresentar à Capes seus projetos de iniciação à docência conforme os editais de seleção publicados. Podem se candidatar IES públicas e privadas com e sem fins lucrativos que oferecem cursos de licenciatura.
As instituições aprovadas pela Capes recebem cotas de bolsas e recursos de custeio e capital para o desenvolvimento das atividades do projeto. Os bolsistas do Pibid são escolhidos por meio de seleções promovidas por cada IES.
Modalidades de bolsa
A Capes concede cinco modalidades de bolsa aos participantes do projeto institucional:
Recursos de custeio e capital
Instituições públicas e privadas sem fins lucrativos participantes do Pibid podem receber recursos financeiros para custear despesas essenciais à execução dos projetos, por exemplo, a aquisição de material de consumo para as atividades desenvolvidas nas escolas. A Capes pode conceder tanto recursos de custeio como de capital, conforme definido nos editais de seleção.



PROGRAMAÇÃO
SÁBADO, 06/12/14
·        7h30min – Credenciamento
·        8h – Abertura (Coordenação de Ensino, Coord. Acadêmica, Coord. Institucional e Coord. de Gestão do PIBID)
·        8h30min às 10h30min – Conferência de Abertura:
Ser Professor (a): memórias, trajetórias e experiências
Palestrante: Profª. Drª. Lana Claudia de Souza Fonseca
(Pró-Reitora de Extensão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
·        10h30minCoffee Break
·        11h às 14h – I Ciclo de Exposições Orais
·        - Ciências Sociais
·        - Geografia
·        - História
·        - Letras
·        Local: Sala de Projeção A 301
·        CIÊNCIAS SOCIAIS
Profª Ma. Célia Regina Neves da Silva
·        GEOGRAFIA
Profª. Ma. Roselaine Souza Araújo
Prof. Dr. Isaac Gabriel Gayer Fialho da Rosa
·        HISTÓRIA
Profª. Dra. Vivian Cristina da Silva Zampa
Prof. Dr. Jayme Lucio Fernandes Ribeiro
·        LETRAS (PORTUGUÊS)
·        LETRAS (INGLÊS)
Profª. Dra. Arlene da Fonseca Figueira
Prof. Me. Erivelto da Silva Reis
Profª. Dra. Renata de Souza Gomes
Local: Sala de Projeção A 301


·        11h às 14hII Ciclo de Exposições Orais
·        - Pedagogia
·        - Matemática
·        - Interdisciplinar
·        Local: Auditório FEUC

·        PEDAGOGIA
Profª Dra. Luiza Alves de Oliveira
Prof. Dr. Marco Antônio Chaves
·        MATEMÁTICA
Prof. Me. Alzir Fourny Marinhos
Profª. Dra. Gabriela dos Santos Barbosa

·        INTERDISCIPLINAR
Profª. Ma. Janice Rosane Silva Souza
Profª. Ma. Norma Maria Jacinto da Silva
Local: Auditório FEUC
·        8h às 14h – Apresentação de Produtos e Objetos Pedagógicos
·        Exposição PIBID (pôsteres, materiais didáticos, fotos, vídeos, atividades desenvolvidas nas escolas...)

Local: Pátio
·        14h – Programação Cultural
  


AGRADECIMENTOS E NÚMERO DO ISBN 
Aos Convidados e Participantes do I SEMINÁRIO INSTITUCIONAL PIBID/FIC 
CADERNO DE RESUMOS DO I SEMINÁRIO INSTITUCIONAL PIBID/FIC 
ISBN: 978-85-65705-04-2 
Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES. A todos os participantes do PIBID/FIC e do I Seminário Institucional PIBID/FIC, agradecemos pelo empenho e pela dedicação às diversas atividades desenvolvidas no decorrer do ano de 2014. Os resultados já começaram a aparecer e todos devemos nos orgulhar das conquistas alcançadas. Ao mesmo tempo, os bons resultados obtidos nos parecem propor novos desafios e mantém nossa responsabilidade e nosso compromisso para com os ideais sinalizados junto a CAPES e aos nossos alunos, bolsistas e nossa comunidade acadêmica e a do entorno de nossa Instituição e das unidades escolares nas quais os projetos são desenvolvidos. Este Caderno de Resumos é uma parte representativa de um momento dessa trajetória. 

Atenciosamente, A Comissão Organizadora 
                                       





 





Prêmio FEUC divulga resultado final da edição de 2014

Prêmio FEUC divulga resultado final da edição de 2014

Na categoria Aluno da FEUC, vencedores são da Pós de Literatura e das graduações de Pedagogia e Letras; na Âmbito Nacional, os premiados são do Rio, de Pernambuco e da Bahia

Da redaçãoemfoco@feuc.br
Os alunos Júlio Correia, da Pós-Graduação em Literatura; Helton Tinoco, de Pedagogia; e Suely Resende Oliveira (Gui Soarrê), de Letras, são os vencedores da edição de 2014 do Prêmio FEUC de Literatura na categoria Aluno da FEUC, respectivamente em 1º, 2º e 3º lugares.
Na Âmbito Nacional, a primeiríssima colocação coube a um campograndense ilustre: o professor e ex-deputado Alcir Pimenta. Em 2º e 3º lugares, respectivamente, ficaram os concorrentes Manoela Frances, de Pernambuco; e Weslley Moreira de Almeida, da Bahia.
O Prêmio FEUC de Literatura 2014 recebeu um total de 571 poemas, sendo 37 de alunos da FEUC e 534 de participantes na categoria Âmbito Nacional.
Coordenador do concurso, ao lado de Rita Gemino, o poeta Américo Mano festejou a extrema qualidade das obras inscritas: “Parabéns a todos os participantes. O talento, a emoção e a criatividade de vocês constituem o verdadeiro troféu deste concurso, que se vê agraciado pela qualidade dos seus trabalhos”, disse ele, acrescentando que, ao ler  o poema do professor Alcir, de imediato se encantou e percebeu que ele poderia ser um dos vencedores. “O professor Alcir Pimenta é um dos mais ilustres moradores de nossa região. Ele já participou algumas vezes do Prêmio FEUC de Literatura. Foi vencedor há alguns anos na modalidade conto. Também já foi premiado com a 3ª colocação em poesia”.
Os vencedores serão informados diretamente pelos coordenadores sobre a data e a forma de recebimento dos prêmios de R$ 500 (1º lugar), R$ 350 (2º lugar) e R$ 250 (3º lugar), uma vez que não haverá cerimônia de premiação.
Conheça os poemas:

CATEGORIA ALUNO DA FEUC


     1º lugar: Júlio Correia (Pós-Graduação em Literatura)

SUPER-HERÓI EM QUADRINHOS

Reconto os azulejos do banheiro
Perco a conta das gotas
que nascem da torneira prateada
Minhas ideias se confundem
com as idas e vindas das formigas negras
que esbarram nos meus pés
A toalha esticada sobre o basculante
o sabonete amarelo
o papel higiênico
o chuveiro elétrico
Sou a única peça estranha
no quadrado pintado de salmão
A porta não está trancada
mas tenho medo de girar a maçaneta
Deito no chão frio
Abraço o vazio
Beijo a pedra marrom
Sou flor só na pintura
Sou eu só por dentro
Sou super-herói só em quadrinhos.

2º lugar: Helton Tinoco (Pedagogia)

RADIOGRAFIA

Bicho-homem, difuso, re-cheio de desejos.
Olho-te de fora como se eu fosse uma estrela.
Olho-te por dentro como se eu fosse uma veia.
Bicho, homem repleto de certezas e ilusões.
Olho-te para além dos olhos com compaixão.
Atravesso membranas, egos, ecos, elos, ímã.
Bicho, homem, triste, gente, carne da alegria.
Bicho-homem, eu vim te ver. Conhecer-te. Amar-te!
Vim como você, nu!
Quase sem limites. Como tu. Sem tirar nem pôr. Vim assim.
Sem temor! Sem morte! Sem sentir nada. Frio. Seco.
Bicho da terra, homem do barro, de eternos brados.
Vim ver-te. Verter meu dom. Vasculhar-te profundo.
Enraizar minhas próprias dores.
Conhecer-te, sendo tu. De carne e osso…
De mil amores, vim “ser-te” agora, hoje, sempre!
Exatamente igual, seu pai, seu filho.
Vim roubar-te o espírito e mostrá-lo às aves.
Vim amar-te e pousar sob o teu coração, tocar-lhe a mão.
Pegar os pesos dos sonhos, os sons de instrumentos.
Dizer-te palavras e desnudar-te a alma.
Vim ser poeta.
Inventar almas, vivas e mortas.
Reinventar a vida numa rima explícita.
Fazer coloridos, criar lágrimas e dar alegrias.
Vim ser artista com acento agudo.
Vim ser apenas uma radiografia que revela o cálcio,
Mas deixa passar o espírito!

3º lugar: Gui Soarrê (Letras)

É

 Entre o desespero e o grito
Convivem em afinado desacordo
O mudo discurso caduco,
A eloquência do destempero
E um rosilho que escoiceia
Entre as lâminas de dois punhais.
Certa vez me contaram
Que os duelos sangrentos se dão
No caminho sem curvas,
Entre a pele e o coração.
Hoje eu sei.

CATEGORIA ÂMBITO NACIONAL


1º lugar: Alcir Pimenta, Rio de Janeiro

UM VERSO DE BANDEIRA

Segue comigo pela vida afora
Uma dor tão grande, tanta tristura,
Que sempre temo nunca vá embora,
Transformando-se em perene amargura.
Lembra-me, então, um verso de Bandeira:
“Só a dor enobrece e é grande e é pura,”
O que parece colossal asneira
Do bardo sempre ao pé da sepultura.
Por que vamos amar um mal sem cura,
Se o mundo não tolera choradeira,
Antes sendo feliz que sofredor?
Quem pensa seja, pois, esse Bandeira:
Um simples vate da fama à procura,
Ou de Cristo na terra sucessor?

2º lugar: Manoela Frances (Pernambuco)

EJACULE!

Você não suporta
Quando eu abro a porta
Da sua devassidão
Quando eu tiro a máscara
Que cobre a sua pele áspera
E repleta de simulação
Você me julga
Você me culpa
Mas nunca soube responder
A razão da sua ira
O motivo de eu estar na mira
Da sua constante necessidade de ofender
Mas nada disso realmente importa
Já que eu ainda não estou morta
E sou peça principal nessa perturbação
Porém, por favor, não se anule
Respire fundo e ejacule
A dor de toda essa frustração.

3º lugar: Weslley Moreira de Almeida (Bahia)

DO LUTO DAS PEQUENAS COISAS

Visto preto
em
funerais de pequenas coisas.
Perco um poema e me entristeço
por uma semana
e alguns versos.
Assassinei, distraído, uma formiga.
Taciturnei-me
minúsculo
por grandes instantes.
Quando descompassei numa dança
deixei
    desequilibrado
                        o sorriso.
Agora mesmo
valoro o ínfimo
por colossais importâncias.
E lagrimo
de mínimas gotas
todas
enchentes
          de risos.

Ana Lúcia Rimes, professora de Língua Portuguesa no CAEL e nas FIC, fala sobre a qualidade do curso de Formação Geral do Colégio e o sucesso de nossos egressos

Muito além do ensino técnico


Ana Lúcia Rimes, professora de Língua Portuguesa no CAEL e nas FIC, fala sobre a qualidade do curso de Formação Geral do Colégio e o sucesso de nossos egressos

Ana Lucia RimesPor Ana Lúcia de Oliveira Cruz Rimes
Mestre em Letras Vernáculas pela UFRJ e professora de Língua Portuguesa no CAEL e nas FIC
O Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis, mais conhecido como CAEL, é um divisor de águas em Campo Grande e adjacências. Atuando há mais de 50 anos, conta com uma equipe qualificada, com professores altamente preparados e técnicas de ensino e laboratórios modernos. Já formou inúmeros profissionais de qualidade, reconhecidos no mercado de trabalho. Grande parte atua no Estado do Rio de Janeiro, mas muitos desempenham suas atividades em outros estados. A instituição tem contribuído em diferentes áreas, que vão de cursos voltados para o cuidado, como é o caso de Enfermagem, até Química, Administração, Eletrotécnica, que são clássicos, e Informática, Petróleo e Gás e Turismo, mais modernos, acompanhando a tendência do mercado, só para citar alguns. Nossos alunos têm conseguido excelentes colocações em seus projetos pelo Brasil, em todas as feiras tecnológicas de que participam, e até mesmo no exterior. Já levamos mais de uma vez projetos premiados aos Estados Unidos, o que nos deixa muito satisfeitos, visto que trabalhamos em prol da excelência da formação de profissionais engajados e comprometidos.
No entanto, não é apenas na área técnica que temos nos destacado. O CAEL, hoje, conta com um curso de Formação Geral especialmente criado para quem deseja cursar uma universidade, pública ou particular, ou ainda almeja fazer algum outro concurso para ingressar nas Forças Armadas e afins. Temos, assim, um planejamento e estratégias voltados especificamente para esse público, também crescente em nosso Estado e não menos importante.  Nossos professores têm vasta experiência em cursos preparatórios, elaboração de material didático para concursos e cursinhos; participam também da implantação de novas tecnologias no fazer pedagógico, como é o caso de Física, Química, Biologia e Matemática. Além do mais, contamos com mestres e especialistas em nosso quadro acadêmico, alguns com trabalhos publicados e reconhecidos, e outros atuando no Ensino Superior.
O resultado de tanto empenho não poderia ser diferente: nossos alunos egressos estão em toda parte, aprovados com louvor nos vestibulares mais concorridos, tanto em instituições federais como estaduais. É com orgulho que podemos dizer que já contamos com médicos, advogados, jornalistas, escritores, biólogos, psicólogos, todos formados, e ex-alunos do Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis. Há pouco tempo recebemos uma visita feliz: a escritora Mariana, que acabara de chegar dos Estados Unidos para lançar seu livro aqui e mereceu uma nota nesta revista. Guilherme Souza, outro escritor, que já conta com dois livros, “Céu” e “A Lista: o Rei de Nova York”, ainda cursa Direito e já pensa em uma segunda faculdade, a de História. Há aqueles que preferiram cursar uma federal em outro estado, como Carlos Neves, e os que optaram pela carreira militar, como Daniel Fernandes, aprovado em concurso dificílimo para a AMAN. Não podemos nos esquecer dos que seguem seus estudos aqui mesmo, nas FIC, ou estão pertinho cursando Engenharia, Arquitetura, Nutrição… São muitos nomes!
Todos os anos, temos agradáveis notícias de aprovação no ENEM e em outros vestibulares. Os alunos sempre voltam para rever seu colégio, seus professores, amigos e funcionários. Nesse momento, a alegria é enorme, e não é possível descrever a satisfação que há em saber que, embora não tenham concluído os cursos escolhidos ainda, estão bem, e encaminhados.
É o CAEL contribuindo com a educação e fazendo a diferença.

Histórias de uma educação que forma e transforma

Histórias de uma educação que forma e transforma


Pessoas que passaram por aqui ou ainda estão na FEUC revelam as razões afetivas e educacionais que as fazem se sentir ligadas à instituição
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br
Elizabeth folheia o livrão “História da minha educação”, no qual registrou sua trajetória escolar, e a partir daí percebeu a mudança que a educação estava fazendo em sua vida. (Foto: Gian Cornachini)
Elizabeth folheia o livrão “História da minha educação”, no qual registrou sua trajetória escolar, e a partir daí percebeu a mudança que a educação estava fazendo em sua vida. (Foto: Gian Cornachini)
Hora de preparar a campanha anual de divulgação dos cursos das FIC e do CAEL, e começamos a nos perguntar: o que a FEUC tem de mais importante a dizer àqueles que são potenciais candidatos a se tornarem seus alunos em 2015? Ora, aquilo que esta revista vem ouvindo ao longo dos últimos anos de um sem-número de entrevistados, entre estudantes, pais, ex-alunos, professores, funcionários… – que a qualidade da educação aqui recebida e a convivência afetuosa têm sido fundamentais para transformar e melhorar suas vidas e de suas famílias.
E veio o slogan “Educação para fazer seu mundo melhor”.
Mas quem melhor conta essas histórias são os que viveram e vivem pessoalmente a experiência. Como Elizabeth Ramos da Silva, do 5º período de Pedagogia, que veio em busca de um curso superior apenas para obter status compatível com a função que já exercia, de professora de teologia em sua igreja, mas que aqui se descobriu uma verdadeira educadora: “A transformação começou lá no início do curso, ouvindo as professoras Gilda, Dimarina… Mas a ficha só caiu quando escrevi a ‘História da minha educação’, na disciplina da professora Célia, e me dei conta da minha trajetória. Aí vi crescendo em mim um amor enorme pela profissão, e agora sei que quero lecionar e fazer a diferença”.
Hoje com 57 anos, casada há 35, 4 filhos e 4 netos, Elizabeth conta que não teve boa relação com os estudos no passado. Estudava por obrigação, achava a escola chata, parou no ginásio para trabalhar, depois se casou, engravidou… Uma história comum, mas que ganha ares de superação quando a protagonista completa 50 anos e decide se matricular no Ensino Médio, na mesma turma da filha mais nova, em um Ciep de Vila Kennedy. “Fiz surpresa para todos, até para o marido. Me arrumei de manhã, botei meu uniforme, e minha filha se espantou: ‘onde vai assim?’. Para a escola, e com você! Ela primeiro reclamou que eu ia fazê-la ‘pagar mico’, mas depois se habituou”, lembra Elizabeth.
Trabalhando a autoestima dos colegas
A turma era a 1001, tida como a pior da escola: cadeiras voavam durante brigas, alunos matavam aula, professores lavavam as mãos… “Só o de Matemática conseguia dar aula e ser respeitado, daí percebi que ele sabia o nome de cada um, falava carinhosamente com todos e cobrava aquilo que dava. Ele me inspirou”, conta Elizabeth, que passou a trabalhar a autoestima dos jovens colegas de turma, ressaltando suas qualidades, e ao longo de três anos conseguiu fazer com que acreditassem no próprio potencial: “Eu os convenci a estudarmos juntos para o Enem. Hoje estão cursando Direito, Design, Engenharia… e antes achavam que no máximo iam ter a mesma vida dos pais”, relembra.
Entre leituras de Paulo Freire, Luckesi e outros pensadores, a estudante de pedagogia agora compreende que exerceu ali um papel de educadora, embora sendo apenas colega de classe daqueles jovens. E, sabiamente, conclui que mais aprendeu com eles do que ensinou. “Eles não tinham o que eu também não tive quando criança na escola: estímulo, professores que se importassem. Quando eu me importei com eles, tudo mudou. Agora, na faculdade, meus professores me ajudam a ver isso. Encontrei aqui profissionais tão cheios de vigor e amor pelo magistério que me achei definitivamente nesta profissão.
Reflexões sobre questões sociais levaram Rosilaine encarar docência com outros olhos. (Foto: Gian Cornachini)
Reflexões sobre questões sociais levaram Rosilaine encarar docência com outros olhos. (Foto: Gian Cornachini)
Também foi um professor (de Geografia, formado aqui) que inspirou Rosilaine Souza de Araújo da Silva a vir cursar sua graduação nas FIC. Naquele momento (2000), o que a movia era o firme propósito de romper a realidade em que vivia e mudar o rumo a partir da conquista de um diploma, mas não exatamente ser professora. A única da família a concluir o Ensino Médio, Rosi trabalhava como vendedora de butique para pagar o curso superior, ganhava salário praticamente igual ao valor da mensalidade e usava a carinha de menina para economizar o dinheiro do transporte: ao sair do trabalho, vestia o antigo uniforme da escola pública que lhe franqueava a viagem de ônibus. “Se não fosse assim, eu não teria conseguido fazer a faculdade”, lembra a hoje coordenadora do curso de Geografia.
Após um ano inteiro conciliando butique e faculdade, Rosi conseguiu trocar o comércio pelo trabalho em uma ONG da área de educação. E ali começava a surgir a futura professora: “Foi a FEUC que me proporcionou essa experiência. Associada a todo o envolvimento que eu já tinha com as questões sociais, contribuiu para que eu pudesse ter outro olhar sobre a docência”. Em outras palavras, quando escolheu cursar Geografia, Rosi queria apenas unir o útil ao agradável: avançar profissionalmente com o diploma de curso superior (virar gerente da butique?!) e adquirir conhecimentos para entender melhor o mundo. Mas, no caminho, foi “escolhida” para mudar também a vida de outros: “Além da formação em si, de cursar as disciplinas, a possibilidade de desenvolver projetos, como o Pré-Vestibular Comunitário que criamos aqui, permitiu que eu fizesse muitas reflexões e finalmente enxergasse onde estava aquela mudança de vida que eu almejava”, analisa. Estava no magistério.
O atual coordenador Acadêmico das FIC, Valdemar Ferreira da Silva, foi outro que procurou a faculdade com o estrito propósito de crescer no emprego que já tinha: o de coordenador de Treinamento e Desenvolvimento do Bob’s, posto a que chegou poucos anos depois de começar a vida profissional ainda adolescente, fritando hambúrguer como contratado temporário. Determinado, Valdemar conquistou uma vaga de atendente após o período como extra e foi rumando para o topo: virou assistente de gerente, ganhou prêmio de melhor assistente do ano, foi transferido para a loja mais importante e, finalmente, convidado a coordenar o treinamento de atendentes.
Valdemar: histórias de vida de seus professores mostraram que era possível mudar. (Foto: Gian Cornachini)
Valdemar: histórias de vida de seus professores mostraram que era possível mudar. (Foto: Gian Cornachini)
No novo setor, Valdemar convivia com psicólogos, administradores, pedagogos… mas faltavam-lhe ferramentas que os outros tinham. “Aí pensei: vou fazer faculdade de Pedagogia, preciso ter uma formação superior para continuar crescendo”. Assim ele chegou à FEUC – e você concluirá, no fim da história, que esta instituição é a culpada de o Bob’s hoje ter menos um grande executivo em sua equipe. “Quando comecei a estudar sociologia, filosofia… foi se consolidando o entendimento de que eu não acreditava naquele trabalho que realizava, de treinamento. Aquilo só servia para reforçar a alienação do sujeito, e tudo o que eu estava estudando apontava para a educação libertadora”.
Em conflito, Valdemar foi se aconselhar com a professora Aparecida Tiradentes. Ela foi simples e direta: “Faça o que seu coração pedir”. Ele fez: pediu para sair, e seu chefe na empresa gentilmente o demitiu. Com a indenização, pagou todas as mensalidades até o fim do curso e mergulhou nos estudos e em um estágio. Ao se formar, conquistou ao mesmo tempo uma vaga de mestrado na Fiocruz, sob a orientação de Aparecida, e um convite para lecionar nas FIC. “Devo aos meus professores daqui essa guinada, por eles terem me mostrado que era possível, com suas próprias histórias. Para um menino que cresceu sem estímulo e sem sequer ouvir a palavra faculdade, tenho certeza que a vida só mudou por causa do lugar onde fiz a graduação. Por isso digo sempre aos alunos: aproveitem isso”, completa.

‘Bom para mim, melhor ainda para meu filho’


No Magali e no CAEL, pais que foram alunos dos colégios em décadas passadas agora levam seus filhos para estudar e repetir o que eles consideram que foi uma experiência positiva em sua infância e adolescência
Lucas e André: pai quis para o filho o mesmo ambiente escolar em que se sentia bem. (Foto: Gian Cornachini)
Lucas e André: pai quis para o filho o mesmo ambiente escolar em que se sentia bem. (Foto: Gian Cornachini)
Quando se trata dos colégios, tanto no CAEL quanto no Magali não é raro encontrar pais que trazem seus filhos para cá animados com a experiência positiva vivida por eles próprios em épocas anteriores. André Luiz Cabral, de 29 anos, foi aluno do Magali em 1995 e 1996, e diz que as lembranças se renovam a cada vez que ele reencontra velhos colegas de escola que são seus amigos até hoje.
Foi pensando nessa riqueza pessoal que há 3 anos ele matriculou o filho Lucas dos Santos Tavares, hoje com 7 anos. “Eu era um aluno bagunceiro, ativo, mas nunca fui incompreendido. Quis para o Lucas esse mesmo ambiente, em que os valores são aqueles mais importantes, mas não se fica parado no tempo. É assim que eu vejo o Magali”, diz André, apontando ainda outra característica que lhe agrada: o fato de as diretoras, os professores e os funcionários conhecerem cada aluno pelo nome. “Essa proximidade é muito boa. Eu gostava disso no meu tempo. Se foi bom para mim, vai ser melhor ainda para o meu filho”.
Do Km 32 a Campo Grande, por amor à escola
Alana e Gisele: longe de casa, mas perto da felicidade. (Foto: Gian Cornachini)
Alana e Gisele: longe de casa, mas perto da felicidade. (Foto: Gian Cornachini)
Gisele de Menezes Bento Silva, de 30 anos, entrou para o Magali aos 3 anos e cursou lá todo o Ensino Fundamental. Considera que teve ótima formação e sempre se sentiu querida e cuidada no ambiente escolar, detalhes fundamentais para o bom desenvolvimento de uma criança. Por isso ela levou a filha, Alana de Menezes Bento Silva, para estudar lá. “Para ela também foi paixão à primeira vista, num instante estava adaptada e se entendendo com todo mundo”. Mas a felicidade durou pouco, e um ano depois Gisele precisou trocar Alana de escola, pois se mudou para o Km 32 da Antiga Rio-São Paulo, em Nova Iguaçu, e o Magali ficou distante. “Ela não gostou, ficou amuada. No começo achei que era só saudade e que ia passar, mas depois vi que minha filha estava regredindo na socialização, se retraindo, não queria mais ir para a escola. Cheguei a pensar que ela pudesse ter dificuldade de aprendizado, pois não ia bem nas atividades. Aí resolvi fazer um sacrifício e voltar para o Magali”, relata Gisele.
A rotina da família se transformou, pois Gisele passou a levar a filha de carro todos os dias, contando com a sogra ou o marido para buscá-la nos dias em que trabalha à tarde. Mas o esforço conjunto logo foi recompensado: “De volta ao Magali, ela recuperou todo o prazer de estudar e o estímulo também. Agora quer ir à escola até no fim de semana! Valeu muito a pena. É tranquilizador quando você pode confiar numa escola e ver que seu filho fica bem”, diz Gisele.
Maria Antônia e Bruna: caso de amor familiar com CAEL. (Foto: Gian Cornachini)
Maria Antônia e Bruna: caso de amor familiar com CAEL. (Foto: Gian Cornachini)
Todos os dias quando entra na FEUC para buscar a pequena Maria Antônia, de 5 anos, Bruna Azevedo Pereira Machado Fonseca revive o que ela mesma classifica de a melhor época de sua vida: 11 anos inteirinhos como aluna do CAEL, de 1990 a 2000. A julgar pelo que acontece no percurso, da portaria até o prédio da Educação Infantil, parece que foi ontem: Bruna vai cumprimentando professores, inspetores, serventes… “O mais legal é isso, ver que um monte de gente da minha época continua aqui. E todos eles se lembram de mim”, diz a ex-aluna de Enfermagem.
E foi a formação no curso técnico que conduziu Bruna ao posto que ocupa hoje no Hospital Rocha Faria, embora tenha feito também faculdades de Enfermagem e Educação Física – esta graduação, aliás, a trouxe de volta ao CAEL em 2006, como estagiária de seu antigo professor, Miguel Louro. A ex-aluna conta que, quando sua filha nasceu, ela nem cogitou outro colégio: “Com três meses ela já estava aqui, na creche. E com certeza vai continuar até se formar, como eu. Só não fiz faculdade na FEUC porque não tinha o que eu queria”, afirma Bruna, torcendo para que a atual expansão de cursos da instituição desemboque num grande leque de opções para Maria Antônia no futuro.
Outra que passou recentemente pelo CAEL e já alça voos mais altos é Larrysa de Morais Alves da Cruz, de 18 anos, formada no técnico em Química e estudante de Farmácia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).  A jovem valoriza a qualidade do ensino do Colégio, que lhe permitiu ingressar em uma universidade pública: “O CAEL me deu toda a base para realizar o sonho de estar hoje na Rural. Muita coisa que aprendi nas matérias do Ensino Técnico e Regular eu estou usando na faculdade”, afirma Larrysa. “Há colégios que focam só no Técnico e esquecem as matérias básicas, então os alunos chegam muito deficientes em algumas disciplinas da universidade. Mas pela base que tive, eu me sinto um pouco em destaque, porque na faculdade consigo entender tudo plenamente”, observa.
Larrysa: destaque na turma da faculdade por conta da boa formação no Ensino Médio. (Foto: Gian Cornachini)
Larrysa: destaque na turma da faculdade por conta da boa formação no Ensino Médio. (Foto: Gian Cornachini)
Durante sua trajetória no CAEL, Larrysa brilhou em 2013 com um projeto da Expo X escolhido para representar o Colégio na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que acontece anualmente na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. A jovem criou um bioplástico com a proposta de identificar a deterioração dos alimentos, alertando as pessoas quando o produto está impróprio para consumo. “Infelizmente, não ganhei nenhum prêmio na Febrace, porque o projeto ainda não está concluído. Mas foi uma experiência muito boa, e eu quero continuar trabalhando na faculdade com descobertas que ajudem as pessoas. Isso sempre foi o meu objetivo: criar algo para ajudar”, revela Larrysa, lembrando da importância da Expo X para fortalecer o aprendizado: “É uma grande oportunidade no Colégio, pois incentiva o aluno a descobrir, a aguçar a criatividade e a curiosidade. A Expo prepara a gente para a vida na universidade, que tem isso de descobrir as coisas e de saber o porquê delas”, ressalta.

A vida que muda a vida da gente


Conhecedores das dificuldades de conciliar trabalho, estudo e jornadas domésticas, porque também passaram por isso, professores são mais generosos com alunos, sem abrir mão da qualidade da formação
A história do professor de Português Erivelto Reis com a FEUC começou muitos anos antes de ele se tornar aluno da graduação em Letras. Desde garoto apaixonado por literatura e poesia, o jovem sempre frequentou os eventos culturais da instituição, onde tinha a chance de conhecer poetas, escritores e outros artistas. Isso nas horas em que não estava trabalhando como garçom, profissão que exerceu por 18 anos. Quando a esposa, Regina, o incentivou a apertar o orçamento e fazer uma faculdade, os poetas Primitivo Paes, Américo Mano e Rita Gemino lhe asseguraram que o lugar certo era a FEUC, apesar de ele ter a possibilidade de uma bolsa integral em outra instituição.
Erivelto veio, abriu seu coração sobre o desejo imenso de cursar a graduação, lembrou que era assíduo nos saraus da instituição e acabou obtendo um bom desconto. Assim sua vida começou a mudar: “Eu não tinha mais tempo a perder, então a questão que me movia era ter um bom aproveitamento no curso. Todos os professores que tive aqui foram muito generosos comigo, porque me disseram a verdade: o que não estava bom era corrigido, e eu tinha que fazer de novo. E é assim que procuro agir com meus alunos, entendendo as dificuldades que têm como trabalhadores, mas sendo firme ao exigir qualidade, pois essa marca da FEUC já existia antes de mim e continuará depois”.
O professor ressalta também o carinho dos funcionários: “No meu primeiro dia de aula, a Andreia me levou até a sala, porque eu não estava entendendo aquele negócio de bloco. Isso é muito legal: aqui todo mundo ajuda, a gente é preparado para competir fora daqui, mas dentro há cooperação, uma humanidade muito grande”.
Professor Erivelto: paixão por poesia e livros o fez trocar as bandejas pelo quadro e giz. (Foto: Gian Cornachini)
Professor Erivelto: paixão por poesia e livros o fez trocar as bandejas pelo quadro e giz. (Foto: Gian Cornachini)
Erivelto criou para si uma espécie de personagem: o professor de suspensórios. E conta que se tornar docente foi um processo elaborado em sua formação: “Eu assistia aulas pensando em como daria aulas, porque me prometi que só seria garçom até as vésperas da minha formatura. Fui pegando, de cada professor que eu admirava, alguma coisa, e testando à minha maneira quando tinha que apresentar trabalhos lá na frente. Recomendo isso como treinamento”, diz.
A promessa foi cumprida. Com colação de grau marcada para o dia 28 de dezembro de 2009, Erivelto se despediu das bandejas no dia 23 de dezembro. E em 2010 se tornou professor da própria FEUC: “Continuo pensando do mesmo jeito e tendo os mesmos sonhos de quando era garçom, só que agora esta casa me deu ferramenta para realizá-los. Fiz um curso superior para fazer escolhas superiores e não para ser superior a ninguém”.
Alexandra e Maria José: amigas e vizinhas se encontram como aluna e professora na pós
Alexandra e Maria José: amigas e vizinhas se encontram como aluna e professora na pós
E mesmo quem só conheceu a FEUC na hora de fazer a pós-graduação sente um clima diferente. Ainda mais quando é trazida por uma declarada admiradora da instituição. Que o diga a professora de artes Alexandra Fernandes da Silva, que na pós em Libras é aluna de sua vizinha e incentivadora Maria José Brum. Formada no Ensino Normal e em Artes Plásticas, ela passou a se interessar por Libras devido ao convívio com Maria José e sua irmã Lili, que é surda. Alexandra fazia uma pós em Libras a distância, mas não estava muito satisfeita. Quando soube que a FEUC abriu uma, presencial, correu para cá: “Só de saber que a Maria José seria professora, não tive a menor dúvida. Depois conheci o professor Victor Ramos, aí o círculo se fechou. Os dois são maravilhosos, instigam a turma a querer aprender mais”, diz Alexandra.
Formada em Pedagogia pelas FIC, Maria José se especializou em Libras fora daqui e dá aulas da disciplina na graduação e na pós. Ela acabou de concluir mais uma pós sobre o tema na UFRJ (Interpretação e Tradução de Libras) e está se candidatando ao mestrado na UFRJ. E quer fazer do curso de especialização da FEUC uma referência no tema: “O curso aborda mais teoria, mas quero unir com a prática, levar para a proficiência do aluno. Seria um sonho realizar algo grande assim nesta instituição, que eu amo de paixão!”.
Na propaganda, a alma da FEUC
O estudante Renato Paulo Gomes de Souza traçou um paralelo tão interessante entre suas conquistas profissionais e a formação recebida aqui, que uma das frases de sua entrevista foi parar nos outdoors de publicidade da faculdade: “Cada vez que retorno à FEUC, mais portas se abrem para mim, na vida profissional e nas relações humanas”.  Ele se referia à rápida inserção no mercado de trabalho após se formar em Química no CAEL, em 2001, e a recente conquista de um estágio em docência e a participação no PIBID, agora que cursa Ciências Sociais nas FIC.
Após quase 15 anos atuando como técnico em várias indústrias no Rio, numa carreira vitoriosa que o levou ao atual posto de chefe substituto em Bio-Manguinhos, na Fiocruz, Renato decidiu que era hora de voltar aos bancos escolares para dar uma guinada na vida profissional: “A formação de técnico me deu um bom emprego, minha própria casa, uma vida confortável. Mas chega uma hora que você quer outros desafios, e me lembrei de como eu gostava da área de Ciências Humanas, daí decidi fazer faculdade. Para mim, não poderia ser em outro local senão na FEUC”, diz.
Renato: Química no CAEL e Ciências Sociais nas FIC. (Foto: Gian Cornachini)
Renato: Química no CAEL e Ciências Sociais nas FIC. (Foto: Gian Cornachini)
Por ter um bom emprego na Fiocruz, Renato conta que já ouviu críticas sobre sua escolha, gente que lhe diz que jamais ganhará o mesmo como professor. Ele rebate: “Meu projeto é de longo prazo, conciliar as duas coisas por um tempo, até poder viver só do magistério. Vou chegar lá. O que eu não vou é mercantilizar tudo e deixar de fazer o que sei que me realizará”, afirma o estudante, que se vê no futuro trabalhando com educação de jovens e adultos.

Nos 70 anos de sua morte, Mário de Andrade ganha primeira biografia

Nos 70 anos de sua morte, Mário de Andrade ganha primeira biografia
Livro de Eduardo Jardim enfatiza a derrota do projeto cultural do escritor
POR MAURÍCIO MEIRELES
22/02/2015 7:00 / ATUALIZADO 22/02/2015 8:01




RIO - Você já ouviu falar muito dele. Mário de Andrade (1893-1945), afinal, foi por décadas uma figura central da cultura brasileira - e seu nome ecoa até hoje. Teses foram escritas sobre ele. Suas cartas são publicadas há 20 anos. Seus textos são estudados nas escolas. O papa do modernismo, cuja morte completa 70 anos na próxima quarta-feira - fazendo com que sua obra entre em domínio público em 1º de janeiro de 2016 -, será homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, que acontece em julho, e em uma série de lançamentos. Assim, parece o criador de um projeto de arte e de um Brasil vitoriosos - mas não é bem assim.


Cartas inéditas, paris e antissemitismo

Uma carta fictícia de um Mário póstumo a um país vivo
Pelo menos não é essa avaliação de "Eu sou trezentos - Mário de Andrade: vida e obra" (Edições de Janeiro/Biblioteca Nacional), de Eduardo Jardim, primeira biografia de um homem visto por muito tempo como "imbiografável" (por medo de que a abordagem sobre a sexualidade do pensador pudesse gerar processos judiciais). O livro carrega uma visão mais pessimista que o usual. O Mário de Andrade retratado por Eduardo Jardim não é um vencedor, mas um homem que dedicou sua existência a um projeto artístico e de nação - para vê-lo derrotado no fim da vida.

- Não à toa, ele vai ficando mais amargurado. O Mário morreu com 51 anos. Você pega as fotos dele e vê uma pessoa arrasada, um homem velho - afirma Jardim, professor aposentado do Departamento de Letras da PUC-Rio. - Os admiradores de Mário o apresentaram como um escritor consagrado, mas ele foi sacrificado pelo ponto de vista autoritário.

Os últimos anos do modernista, sobre os quais Jardim já havia se debruçado em "Mário de Andrade - A morte do poeta" (Civilização Brasileira, 2005), têm importância crucial nessa tese. Depois de ser demitido do Departamento de Cultura de São Paulo, em 1938, com o Estado Novo, Mário entra em um período de depressão. Enquanto esteve à frente do órgão, viu-se perto de concretizar seu credo modernista de uma arte social que servisse a interesses coletivos do país. A reforma proposta por ele visava criar canais entre cultura erudita e popular, nacional e estrangeira, fundar uma arte para estabelecer vínculos comunitários.

Com a demissão - acompanhada de acusações de corrupção -, Mário muda-se para o Rio, onde entrega-se à bebida e fica afastado de amigos queridos que moravam na cidade, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Nomeado por Gustavo Capanema, passa a ocupar cargos menores no Ministério da Educação e Cultura - incompatíveis com quem já tivera uma centralidade na vida cultural do país. Mesmo assim, ele ajudou a fundar as bases do que hoje é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E sua visão de conservação do patrimônio cultural é usada até hoje.

- O Capanema quebra o Mário de Andrade. Bota ele no Rio como um zé ninguém, um funcionário que tinha que bater ponto. Você imagina um intelectual da estatura dele batendo ponto? No meio do Estado Novo, ele tinha um projeto antiautoritário, de inclusão - afirma Jardim.

Um dos momentos simbólicos de seu sentimento de derrota é uma conferência em 1942, na qual Mário se mostra melancólico. Aproximando-se de Murilo Miranda, Lúcio Rangel e Carlos Lacerda - à época comunistas -, ele adere à ideia de uma arte de combate. E começa a cobrar de amigos um posicionamento na luta política. Chega a defender que é preciso abdicar da arte para combater o fascismo. Mas Eduardo Jardim não é pessimista.

- O modernismo é o movimento intelectual mais importante do Brasil. Chamar a atenção para seu projeto frustrado convida a avaliar sua importância. Sim, nosso horizonte histórico é muito diferente. A distância possibilita a compreensão - afirma o autor.

Suporta homossexualidade intimidava candidatos a biógrafo

A suposta homossexualidade de Mário de Andrade sempre intimidou candidatos a biógrafo. Os amigos do escritor jogaram um véu sobre o tema - e, mesmo quando Manuel Bandeira publicou sua correspondência com o amigo, muita coisa foi rasurada. Moacir Werneck de Castro foi o primeiro a falar do assunto, em 1989, no livro "Mário de Andrade - Exílio no Rio", não sem causar polêmica.


Eduardo Jardim não se esquivou da questão, mas não cita casos amorosos do modernista. E mostra que definir o autor de "Macunaíma" (1928) como gay não serve para rotulá-lo. A vivência do erotismo marca vários de seus contos e poemas, afinal.

- A obra dele é marcada pela sexualidade num sentido mais amplo que isso, com uma dimensão instintiva e sensual. Ele dizia que ficava movido sensualmente por uma árvore, uma coisa de grande sensibilidade. E isso surgia acompanhado de uma censura muito forte. Mário vivia sua sexualidade de uma forma muito tensa. No conto "Frederico Paciência" isso aparece de forma muito clara - diz Jardim, que mostrou o livro antes de ser publicado a Carlos Augusto de Andrade Camargo, herdeiro do modernista, e afirma que não recebeu nenhuma sugestão de mudança.

Até hoje, a Fundação Casa de Rui Barbosa guarda uma carta de Mário para Bandeira, que foi lacrada quando o acervo do amigo do modernista foi doado à instituição. Especula-se que ela conteria alguma informação sobre a sexualidade de Mário. O segredo é tanto que há mesmo quem negue a existência da carta - mas ela existe.

Os conflitos de sua vida sexual são só uma parte das tensões que marcam a obra do modernista - e a tornam interessante, diz o biógrafo. Seu pensamento estético funda-se numa oposição entre o lirismo e a inteligência; entre o elemento nacionalista e o universal; a cultura letrada e a popular; o instinto e a razão; e, no fim da vida, entre o artista e seu compromisso político.

- Quando essa tensão se quebra, é o momento de crise na vida dele - afirma Jardim.

O pesquisador, que fez entrevistas e voltou à ampla correspondência de Mário, garimpou duas frases que mostram uma veia antissemita. Em uma delas, comentando os retratos que Portinari e Lasar Segall haviam pintado dele, o autor diz: "Como bom russo complexo e bom judeu místico ele (Segall) pegou o que havia de perverso em mim. (...) A parte do Diabo. Ao passo que Portinari só conheceu a parte do Anjo".

Embora tenha morrido frustrado, Mário de Andrade foi o intelectual brasileiro mais importante do século XX, na visão de Jardim. Ele defende, porém, que ainda não foi feita uma avaliação crítica do modernismo.

- Acho que toda tentativa de fazer "reviver" o modernismo é bastante equivocada. Temos que medir a distância que nos separa. Ele continua sendo a mais importante referência na nossa história intelectual, mas devemos avaliá-lo criticamente - conclui Jardim.

Serviço

"Eu sou trezentos - mário de andrade: Vida e obra"


Autor: Eduardo Jardim