quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Enade: fator de qualidade do curso e do diploma

Enade: fator de qualidade do curso e do diploma


Obrigatório aos formandos, exame do Ministério da Educação representa 70% da nota final do conceito de cursos
Por Gian Cornachiniemfoco@feuc.br
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), parte do Sistema Nacional de Avaliações da Educação Superior (Sinaes), acontece este ano no dia 23 de novembro. Como o próprio nome diz, o Exame tem o objetivo de mensurar o desempenho dos alunos de graduação em relação a todo o conteúdo e competências previstas para a sua formação. O comparecimento à avaliação é obrigatório para os alunos que se formam no semestre em que o Enade é aplicado e, também, para os que concluirão o curso em até 6 meses depois do exame. A prova não é classificatória nem eliminatória — ou seja: mesmo que o estudante tire zero ou entregue a prova em branco, ele não será impedido de colar grau. Porém, como a nota do Enade é um dos pontos que compõem o Conceito Preliminar de Curso (CPC) — que também engloba a avaliação do corpo docente da instituição de ensino, da infraestrutura e dos recursos didático-pedagógicos, entre outros — um desempenho ruim do aluno na prova jogará para baixo a nota do curso em que ele estará se formando. O Enade representa 70% da nota final do CPC (que varia de 1 a 5), e para um curso ser oferecido normalmente ele precisa ter conceito a partir de 3.
Importância da boa prova
Segundo a professora Arlene da Fonseca Figueira, Diretora de Ensino da FEUC, o Enade é, além de um instrumento de avaliação do MEC, um certificado de qualidade do diploma do estudante: “Se você está em uma faculdade que tem um bom desempenho, seu currículo está à frente daquele que não tem”, afirma Arlene.
Maria Licia: "Queremos que os estudantes se esforcem para manter esse 4". (Foto: Gian Cornachini)
Maria Licia: “Queremos que os estudantes se esforcem para manter esse 4″. (Foto: Gian Cornachini)
No entanto, nem sempre os estudantes encaram o Enade dessa maneira. De acordo com Maria Lícia Torres, coordenadora do curso de Pedagogia das FIC, no mesmo dia do Enade de 2011 houve uma prova de concurso público que interessou aos alunos, e a maioria dos estudantes optou por apenas assinar o nome na avaliação, entregá-la incompleta e partir para a prova do concurso. Isso impactou diretamente no conceito de Pedagogia, conferindo-lhe a nota 2 e impossibilitando a abertura de vestibular para novas turmas. “Nós pedimos uma reavaliação do curso, e uma comissão do MEC veio à FEUC para verificá-lo de perto. Revimos todo o nosso projeto pedagógico e a bibliografia básica, e fizemos mais investimentos. Fomos além das exigências do MEC, e a consequência foi o novo conceito 4”, explica Maria Lícia. “Queremos que os estudantes se esforcem para manter esse 4, porque a qualidade do certificado deles depende de uma boa prova”, completa ela.
A Licenciatura em Computação das FIC também passou pelo mesmo problema no último Enade das licenciaturas, que aconteceu em 2011. O professor Rodrigo Neves, coordenador dos cursos de informática das FIC, conta que, na ocasião, os estudantes não se dedicaram à prova, e o curso foi rebaixado para o conceito 2. Após uma visita do MEC para a reavaliação, foi notada a qualidade da estrutura das FIC para oferecer a graduação, e mais um curso recebeu a nota 4. “Agora, é importante mantermos a nota, porque o curso de Licenciatura em Informática tem pouca disponibilidade em nossa região, não existe em todas as faculdades, e é importante se manter como uma referência”, afirma o professor Rodrigo.
Já o curso de Ciências Sociais das FIC teve uma ótima surpresa após o último Enade. Segundo a professora Célia Neves, coordenadora do curso, a turma avaliada no exame era bastante aplicada e interessada em valorizar o diploma, e a dedicação dos estudantes, somada à estrutura das FIC, rendeu a nota 4 ao curso, conferindo-lhe o posto de segunda melhor licenciatura em Ciências Sociais do Rio de Janeiro, atrás apenas da PUC-Rio. “Hoje a titulação do nosso corpo docente é melhor do que era em 2014. Os aspectos que dependem exclusivamente da instituição estão em um grau superior a 2011. E a turma deste ano está à altura de fazer uma excelente avaliação, o que me faz acreditar que manteremos nosso 4 ou garantiremos a nota 5”, pondera a professora.
Preparativos para o Enade
Desde o começo do ano, e mais intensificamente a partir de agosto, todos os cursos das FIC — exceto o Bacharelado em Administração (que ainda não está em fase de avaliação) — estão trabalhando para garantir que os estudantes tenham suporte para se destacarem na avaliação. O curso de Matemática, por exemplo, lançou em março, no YouTube, o canal “FEUCMAT”, onde vídeos são postados com as resoluções e comentários de questões dos Enades anteriores, sempre com o objetivo de focar na avaliação e, também, treinar os estudantes para serem futuros professores. Leandro de Sousa Martins, de 20 anos, que está no 6º período do curso, foi o primeiro aluno a gravar um vídeo para o canal. O jovem aprovou a atividade e a oportunidade de aprender ao mesmo tempo em que ensina: “Além de a gente desenvolver essas habilidades de professor, temos que estudar muito, porque as questões são rebuscadas e o nível da prova é elevado”, avalia Leandro.
Curso de Matemática cria canal no YouTube com resoluções de questões do Enade. (Imagem: Reprodução da Internet)
Curso de Matemática cria canal no YouTube com resoluções de questões do Enade. (Imagem: Reprodução da Internet)
Todos os cursos das FIC, exceto História, abriram uma disciplina específica voltada ao Enade para os alunos do 6º e 7º períodos (e 8º, no caso de Bacharelado em Sistemas de Informação). História, Geografia, Letras e Pedagogia optaram por aplicar simulados nessas turmas, a fim de testarem seus conhecimentos e treiná-los para a avaliação de novembro. Geografia, História e Pedagogia apostaram, ainda, em “aulões” para trabalhar os componentes de Formação Geral e Formação Específica para o Enade. Durante diversos sábados, até o início de novembro, professores estarão disponíveis para retomar e reforçar conhecimentos já trabalhados em sala. Alunos de todos os cursos podem participar dos aulões, principalmente aqueles voltados para a Formação Geral. A programação completa está disponível pelo seguinte link: http://migre.me/lvGsk.
O portal da FEUC na internet também está com uma área dedicada ao Enade. Na aba “Principal” da páginawww.feuc.br, o internauta encontrará a opção “Enade”, onde poderá conferir diversas informações a respeito da avaliação e baixar provas e gabaritos de edições anteriores.

Professora Drª. Renata Gomes: Uma fã de literatura e cinema

Uma fã de literatura e cinema


Renata Gomes — a ‘Glória Maria da educação’ — é professora de inglês e vice-coordenadora do curso de Letras
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br
Renata Gomes defendeu em junho sua tese de doutorado. (Foto: Gian Cornachini)
Renata Gomes defendeu em junho sua tese de doutorado. (Foto: Gian Cornachini)
Foi nas salas de aula das FIC que a professora de inglês Renata de Souza Gomes teve o insight do que viria a ser o seu tema de pesquisa no doutorado em Linguística Aplicada, que ela defendeu em junho passado no Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O título, ela chama a atenção, “parece até enredo de escola de samba”: “Estudo sobre possíveis ressignificações de A Streetcar Named Desire, de Tennessee Williams, na sala de aula de literatura dramática em um curso de Letras”. Trocando em miúdos, Renata investigou o quanto a literatura circula de forma mais fluente quando adaptada ao cinema.
“Quando comecei a dar aulas na faculdade, em 2009, já explorava essa interação entre literatura e cinema, levando à sala de aula versões cinematográficas de textos estudados, para estimular o interesse dos alunos. E foi essa experiência que acabou moldando a tese”, conta Renata, que também é vice-coordenadora do curso de Letras. De tanto ouvir questões do tipo “Se vi o filme, posso deixar de ler o livro?”, “Gostei mais do filme do que do livro” e “Acho que o diretor do filme corrompeu o sentido do livro”, a professora se interessou por investigar mais a fundo até que ponto o uso do cinema tinha o poder de alavancar o letramento crítico literário dos alunos, e para isso escolheu um autor de língua inglesa — o dramaturgo Tennessee Williams — e uma obra específica dele: a peça “Um bonde chamado desejo”.
Ela então formou três grupos focais de alunos: um que somente leu a peça, outro que apenas viu o filme e um último que leu a peça e viu o filme. E pôs todo mundo para debater, longamente. “Minha pesquisa consistiu em analisar essas falas, observando o modo como cada grupo construiu seu entendimento a partir do acesso que teve à obra, e de que maneira o cinema auxiliou nessa construção”, revela Renata. Segundo a professora, uma das principais conclusões da tese é que o uso do cinema na educação dá mais voz ao aluno, dessacralizando um pouco a literatura e tornando-a acessível a públicos maiores.
Especificamente no caso estudado, Renata observou que os estudantes se sentiram mais empoderados no campo literário, a partir da perspectiva de poderem atuar também como críticos: “Vendo que a versão cinematográfica era um modo de o diretor interpretar a obra literária, eles se permitiram também interpretar, o que é extremamente positivo no letramento crítico”, explicou a professora, que sempre sonhou fazer uma tese que não fosse engavetada depois. Para ela, os resultados obtidos apontam para a total pertinência da integração entre cinema e literatura na sala de aula: “Quando o professor se concentra apenas no estudo da crítica literária, o aluno se torna mero consumidor de teoria”, acredita.
Renata recebeu da FEUC uma plaquinha em homenagem à conquista profissional. (Foto: Gian Cornachini)
Renata recebeu da FEUC uma plaquinha em homenagem à conquista profissional. (Foto: Gian Cornachini)
Renata recebeu da FEUC uma plaquinha em homenagem à conquista profissional. (Foto: Gian Cornachini)
Renata recebeu da FEUC uma plaquinha em homenagem à conquista profissional. (Foto: Gian Cornachini)
Renata Gomes começou a cursar Letras muito cedo, aos 16 anos, e naquele momento ainda tinha uma pontinha de dúvidas sobre se deveria trocar para Jornalismo. Mas, quando teve a primeira aula de literatura de língua inglesa, as dúvidas se dissiparam: “Eu me encontrei, e na mesma hora disse: quero dar aula de literatura inglesa!”, conta a professora, fã de literatura e cinema, que além do ensino superior leciona também no básico, dando aula de língua inglesa em uma escola municipal.
O longo período de pesquisa no doutorado, somado ao trabalho diário e a problemas de saúde vividos em família, tornaram Renata meio reclusa nos últimos tempos. Tem poucos meses que ela voltou, timidamente, a se entregar a alguns prazeres, como sair com os amigos e pôr o cinema em dia. Para o futuro, os planos são ao mesmo tempo simples e trabalhosos: profissionalmente, fazer um pós-doutorado em letramento literário; na vida pessoal, aprender a cozinhar, construir sua casa e… casar — não necessariamente nesta ordem: “Não sei fritar um ovo!”.
E se o caro leitor sentiu falta da referência à idade da professora neste breve perfil, saiba que não foi por esquecimento de perguntar: “Eu não revelo! Sou uma espécie de Glória Maria da educação: ninguém sabe a minha idade. Meus alunos vivem fazendo apostas para descobrir. Então, se eu contar, acabo estragando um dos maiores prazeres deles”, despista a professora.

PIBID: mais do que um estágio - Por Tania Neves

PIBID: mais do que um estágio


Por Tania Neves
emfoco@feuc.br
As FIC estão iniciando em 2014 uma série de projetos no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), após se habilitar no Edital 61/2013 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), agência brasileira de fomento à pesquisa ligada ao Ministério da Educação. O programa federal, que tem como objetivo valorizar o professor do ensino básico e contribuir para o aperfeiçoamento da formação docente, destina bolsas (no valor individual de R$ 400 por mês) a alunos de licenciaturas para que estes sejam inseridos no contexto das escolas públicas de ensino básico ainda durante sua formação acadêmica, desenvolvendo atividades didático-pedagógicas sob a orientação de seus professores da faculdade. “Isso traz ganhos não somente para nossos alunos, que acumularão importante experiência para sua futura atuação docente, mas permitirá também aos professores da instituição expandir suas atividades de extensão e pesquisa”, afirma o coordenador Acadêmico das FIC, Valdemar Ferreira da Silva, lembrando que a instituição é a única particular da região que teve projetos aprovados no edital da CAPES.
Maria Licia: mergulho na rotina escolar dará experiência e autonomia ao licenciando. (Foto: Gian Cornachini)
Maria Licia: mergulho na rotina escolar dará experiência e autonomia ao licenciando. (Foto: Gian Cornachini)
Ao todo, foram concedidas às FIC 170 bolsas de iniciação à docência, divididas pelos diversos cursos de licenciatura (com exceção de Informática). A coordenadora geral do PIBID/FIC é a professora Maria Licia Torres, que está entusiasmada com as perspectivas abertas: “Sou professora há muito tempo e também orientadora de estágio, e um programa como esse sempre foi meu sonho de consumo para a formação de um professor. Ele é muito mais do que um estágio, pois no estágio o estudante acaba apenas observando e, em muitos casos, fazendo trabalhos que nada têm a ver com sua formação. No PIBID ele de fato vai aplicar um projeto educacional, aprendendo a ser docente e a ter autonomia”, comemora a coordenadora.
Confira abaixo os resumos dos projetos que serão desenvolvidos no PIBID/FIC.
CIÊNCIAS SOCIAIS
5 bolsistas, orientados pela professora Célia Neves, no Colégio Estadual Irineu José Ferreira.
Ações: Realizar, junto aos estudantes do ensino básico, oficinas temáticas sobre a realidade social em que se inserem e o modo como a Sociologia pode contribuir para formular questões e conduzir análises acerca desta realidade. A partir dessa problematização, estimulá-los a ir a campo colher material (depoimentos, vivências, situações cotidianas) e produzir vídeos, com seus telefones celulares, acerca das temáticas eleitas, para serem exibidos em festival “Curta na escola”.  Pretende-se com o projeto contribuir para a formação de docentes criativos, dinâmicos e abertos a buscar alternativas para o processo do ensinar e aprender, e que percebam a importância do trabalho de interação dos estudantes do ensino básico com a realidade social vivida por eles e o modo como esta dinâmica contribui para desenvolver sua consciência crítica.
GEOGRAFIA
25 bolsistas, orientados pelos professores Rosilaine Silva e Isaac Rosa, no Colégio Pedro II de Realengo.
Ações: Discutir o audiovisual como metodologia no ensino de Geografia e criar condições para a produção – pelos bolsistas e os alunos do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos – de curtas-metragens a partir dos temas geradores “Meio ambiente” e “Mercado de trabalho, globalização e redes sociais”.  O projeto se iniciará com oficinas de audiovisual para os participantes e depois será feito trabalho de campo para colher o material a ser usado na produção dos filmes, como depoimentos e impressões acerca do território em que vivem os estudantes. Os trabalhos realizados serão exibidos em mostra no Colégio Pedro II e também inscritos em festivais universitários e disponibilizados nas redes para uso público.
HISTÓRIA
25 bolsistas, orientados pelos professores Vivian Zampa e Jayme Ribeiro, no Colégio Estadual Professor Fernando Antônio Raja Gabaglia.
Ações: Fomentar a reflexão dos discentes sobre a educação e o ensino de História, a partir de levantamento bibliográfico e observação em sala de aula do que estimula e do que não estimula alunos e professores no ensino e aprendizagem da disciplina. A partir daí, propor novas metodologias e a produção/utilização de materiais didáticos mais motivadores, como quadrinhos, vídeos e jogos eletrônicos, que promovam uma aproximação ao universo dos alunos. O projeto prevê o lançamento do “Festival do Minuto”, com produção de curtas-metragens de 1 a 6 minutos sobre a diversidade étnico-cultural brasileira, e a criação de um blog para divulgar internamente as atividades desenvolvidas e estender seu alcance à grande rede.
INTERDISCIPLINAR
25 bolsistas, orientados pelas professoras Janice Souza e Norma Jacinto, no Instituto de Educação Sarah Kubitschek.
Ações: Desenvolver propostas de ações didático-pedagógicas a partir da utilização de livros da literatura africana e afro-brasileira, com o intuito de contribuir com alternativas para a incorporação dessa temática na prática pedagógica, que passou a ser obrigatória nos currículos de educação básica e nos cursos de licenciatura a partir das leis 10.639/03 e 11.645/08 e das Diretrizes Curriculares para as Licenciaturas. Um dos objetivos é mapear como é feita hoje a incorporação dessa temática e propor novos olhares. Constará de estudos sobre a produção científica acerca do uso dessa literatura nas escolas de educação básica e a organização de grupos de estudos para análise do material coletado, envolvendo os professores de Ensino Médio, os alunos bolsistas e os professores convidados das licenciaturas das FIC.
LETRAS – INGLÊS
5 bolsistas, orientados pela professora Renata de Souza Gomes, no Instituto de Educação Sarah Kubitschek.
Ações: Observação, por parte dos bolsistas, do trabalho desenvolvido pelos professores de língua inglesa em sala de aula, com o objetivo de identificar pontos fortes e pontos fracos no ensino e na aprendizagem, e a seguir promover reflexões, análises e debates sobre os métodos empregados. Numa etapa seguinte, a partir dessa interação, haverá a elaboração de materiais didáticos em língua inglesa a serem utilizados ao longo do projeto, que visa a estreitar os laços entre os estudos acadêmicos e a vivência em sala de aula, contribuindo para promover uma prática de ensino mais reflexiva e transformadora. O foco estará nas diferentes habilidades linguísticas, como a fala, a escrita e a compreensão auditiva e de leitura.
LETRAS – PORTUGUÊS
25 bolsistas, orientados pelos professores Arlene da Fonseca Figueira e Erivelto Reis, na Escola Municipal Euclides da Cunha.
Ações: A partir da identificação das principais dificuldades de leitura apresentadas pelos estudantes, estimular a prática de leitura de textos de diferentes gêneros literários (poesia, conto, crônica, romance), por meio de oficinas e integração no projeto “Produção de acervo de áudio: ações para o letramento literário”, que constará da gravação de CDs com textos literários em domínio público, selecionados a partir de pesquisa, para o uso em atividades de letramento literário. Os bolsistas trabalharão com os alunos não somente a parte literária, mas também a desinibição, estimulando que emprestem suas vozes para o registro em áudio das histórias. No final, será gravada uma série de CDs, que serão disponibilizados para instituições que apoiam cegos e também compartilhados nas redes.
MATEMÁTICA
30 bolsistas, orientados pelos professores Alzir Fourny Marinhos e Gabriela dos Santos Barbosa, na Escola Municipal Baltazar Lisboa.
Ações: Na primeira etapa, analisar os históricos escolares de alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental para identificar os que se encontram em situação de distorção idade/série e verificar quais as principais dificuldades enfrentadas por eles com relação às quatro operações com números naturais. A partir desse diagnóstico, os bolsistas desenvolverão, sob supervisão de seus orientadores, materiais didáticos manipuláveis a serem utilizados em atividades que possam auxiliar no melhor desenvolvimento cognitivo dos alunos. Esses materiais ficarão depois disponíveis no laboratório para uso nos processos de ensino e aprendizagem dos conceitos associados às quatro operações.
PEDAGOGIA
30 bolsistas, orientados pelos professores Luiza Alves Ribeiro e Marco Antônio Chaves, nas Escolas Municipais Collechio e Eusébio de Queiroz.
Ações: Trabalhar a alfabetização e o letramento de alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental, por meio de contos, parlendas, cantigas de roda, quadrinhos e outros elementos da cultura popular. Serão promovidas oficinas de leituras de textos para os bolsistas e os professores regentes. Os bolsistas participarão ainda das demais atividades da escola, como administração, avaliação e planejamento, para ter uma visão global das funções do pedagogo. Eles se dividirão entre duas escolas de características bem diferentes (tamanho, quantidade de turmas etc.) e depois trocarão de posição, para que possam perceber pontos altos e pontos fracos de cada modelo. Ao fim do projeto serão editados livros com a produção textual dos alunos, para futuro uso em alfabetização e letramento.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

FEUC lança ‘Portal ENADE’ e ‘Bolsa Mérito’

FEUC lança ‘Portal ENADE’ e ‘Bolsa Mérito’


Site da instituição agora tem uma área exclusiva para o ENADE; estudantes que obtiverem maior nota no exame terão direito a bolsa de estudos para a Pós-Graduação
Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br
O ano de 2014 trouxe novidades para os estudantes das FIC: o portal da instituição está com uma área dedicada ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE). O espaço ainda está em construção, mas o internauta já pode conferir informações a respeito da avaliação e baixar provas e gabarito de edições anteriores. Em breve, será possível fazer simulados online, conferir versões das provas comentadas pelos professores da FEUC e obter orientações para o exame. Para acessar o Portal ENADE, basta entrar no sitewww.feuc.br, posicionar o cursor do mouse sobre a aba “Principal” e clicar em “ENADE” na lista de opções que abrir.
Com algumas partes ainda em construção, 'Portal ENADE' está disponível no site da FEUC. (Foto: Divulgação)
Com algumas partes ainda em construção, ‘Portal ENADE’ está disponível no site da FEUC.
(Foto: Divulgação)
O coordenador Acadêmico das FIC e da Comissão Própria de Avaliação (CPA), professor Valdemar Ferreira da Silva, explica o objetivo de criar o espaço no portal da FEUC: “No ano passado, começamos a planejar um local para organizar todas as informações sobre o ENADE. Tivemos a ideia de criar o portal a fim de que ele se tornasse uma referência para nossos alunos e professores sobre o assunto, e esperamos muitos acessos”, afirma Valdemar.
O professor também deixa claro que a página na internet vem ao encontro da necessidade de mostrar a importância do exame ao estudante: “Queremos dar mais visibilidade à prova. Na medida em que a gente mostra sua importância, divulga as datas das provas, o porquê de não perdê-la e quais as consequências disso, o estudante não corre o risco de ter informações desencontradas”, ressalta ele.
Bolsa Mérito
Outra novidade neste ano é a “Bolsa Mérito”, uma bolsa de estudos integral para qualquer curso da Pós-Graduação da FEUC. Terá direito a ela o estudante que obtiver a nota mais alta no ENADE dentre os alunos do seu curso. Enquadram-se no benefício os cursos que tiverem conceito igual ou superior a três.
A Bolsa Mérito passará a valer a partir do próximo ENADE, que acontece em novembro deste ano. O resultado sairá no segundo semestre de 2015, e a faculdade receberá um relatório com informações sobre o desempenho dos estudantes e a maior nota do aluno por curso. Assim que esse relatório for disponibilizado à instituição, os estudantes poderão apresentar o boletim do ENADE para compararem suas notas com a maior nota do curso, a fim de saber quem será o contemplado com a bolsa.
“O governo exige presença do aluno no exame, mas não há nenhuma contrapartida dele como forma de premiar os estudantes. A FEUC criou essa bolsa justamente para estimular o aluno a fazer a prova e concorrer ao benefício”, destaca Valdemar.

Evento Gratuito na Letras - Ensino de Línguas Estrangeiras na Educação Básica: trabalhando com o (im)possível?


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

QUESTÃO 15 ENADE COMENTADO - Compreensão de texto; percepção da estrutura do texto; coesão e coerência * Autora: Heloísa Orsi Koch Delgado

QUESTÃO 15

Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na Internet? Checa seu e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos no Orkut ou no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir com outras pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na Internet. Só o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que, juntos, passam 700 bilhões de minutos por mês conectados ao site — que chegou a superar o Google em número de acessos diários. (...) e está transformando nossas relações: tornou muito mais fácil manter contato com os amigos e conhecer gente nova. Mas será que as amizades online não fazem com que as pessoas acabem se isolando e tenham menos amigos offline, “de verdade”? Essa tese, geralmente citada nos debates sobre o assunto, foi criada em 1995 pelo sociólogo americano Robert Putnam. E provavelmente está errada. Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto constatou que a Internet faz você ter mais amigos — dentro e fora da rede. Durante a década passada, período de surgimento e ascensão dos sites de rede social, o número médio de amizades das pessoas cresceu. E os chamados heavy users, que passam mais tempo na Internet, foram os que ganharam mais amigos no mundo real — 38% mais. Já quem não usava a Internet ampliou suas amizades em apenas 4,6%. Como a Internet está mudando a amizade. Superinteressante, n. 288, fev./ 2011 (com adaptações).

No texto, o trecho entre parênteses foi suprimido. Assinale a opção que contém uma frase que 
completa coerentemente o período em que o trecho omitido estava inserido.

A. A Internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito à amizade
B. A Internet garante que as diferenças de caráter ou as dificuldades interpessoais sejam 
“obscurecidas” pelo anonimato e pela cumplicidade recíproca
C. A Internet faz com que você “consiga desacelerar o processo, mas não salva as relações”, 
acredita o antropólogo Robin Dunbar
D. A Internet raramente cria amizades do zero — na maior parte dos casos, ela funciona como 
potencializadora de relações que já haviam se insinuado na vida real
E. A Internet inova (e é uma enorme inovação, diga-se de passagem) quando torna realidade a 
“cauda longa”, que é a capacidade de elevar ao infinito as possibilidades de interação


* Gabarito: A
* Tipo de questão: Escolha simples, com indicação da alternativa correta 
* Conteúdos avaliados: Compreensão de texto; percepção da estrutura do texto; coesão
e coerência 
* Autora: Heloísa Orsi Koch Delgado

Comentário: 
O segmento de texto escolhido para fundamentar a questão 15 aborda, de maneira sucinta, a transformação que a internet, mais precisamente as redes sociais, está causando nos relacionamentos, principalmente no que se refere à amizade. Esse tema é, sem dúvida, relevante, e questões como a noção de privacidade e o potencial infinito de compartilhamento de informações estão sendo discutidos por pesquisadores de diversas áreas no mundo, merecendo reflexão no momento em que fazemos uso das redes sociais para compartilhar experiências e vivências com amigos do mundo virtual.
A rede social Facebook, citada no trecho, tornou-se um fenômeno social, cultural e econômico, com mais de 800 milhões de usuários (só no Brasil, 36 milhões). Seu crescimento pode torná-la a empresa mais importante da internet, de acordo com dados recentes (Revista Época, fevereiro de 2012). De acordo com a revista, o criador do Facebook, o americano Mark Zuckerberg, vem ajudando a moldar uma geração inteira, que ficou conhecida como “posto, logo existo”, e parece incapaz de usufruir um momento privado sem a antecipação do prazer de compartilhá-lo on-line. Isso posto, passemos à discussão do enunciado e das alternativas que envolvem a questão.O enunciado pede a indicação da alternativa que contém uma frase que corresponda de modo coerente ao segmento retirado do texto. Com relação ao conteúdo, parece-me que as frases das alternativas (A) e (E) poderiam ser adequadas, mas apresentam limitações (discussão a seguir). Ainda assim, escolheria a alternativa (A) como opção correta. Vejamos a seguir: O fato de a internet (redes sociais) ser uma ferramenta de relacionamentos inovadora torna-a potencialmente poderosa. Os resultados da pesquisa referida no texto, feita na Universidade de Toronto, mostraram que os usuários ligados nas redes sociais fizeram mais amigos fora da rede do que aqueles menos frequentes, dados que indicam, sem dúvida, uma transformação no modo como as pessoas estão interagindo na atualidade. Entretanto, para sustentar a ideia de que a internet é a mais poderosa, o texto deveria ter apresentado detalhes da pesquisa como, por exemplo, o número de usuários no mundo e a qualidade das amizades que foram feitas dentro e fora da rede. O texto não deixa explícito o poder absoluto da internet – tema que deve ser estudado com mais profundidade, para defender com maior precisão a afirmativa de que a internet é realmente a ferramenta mais poderosa para fazermos amigos. A alternativa (E) também apresenta ideias que condizem com o texto: a) a inovação que a internet nos traz e b) a capacidade de infinitas possibilidades de interação e comunicação que nos proporciona. Porém, a frase é longa: se menos palavras fossem utilizadas como, por exemplo, a internet inova e está transformando as nossas relações, produziria um efeito mais positivo no leitor. Vale outra observação: o segmento em parênteses e é uma enorme inovação, diga-se de passagem apresenta uma linguagem informal que, a priori, não condiz com um exame formal e, além disso, expressa uma opinião, que não deveria estar inserida na estrutura de uma opção de resposta. A alternativa (B) não é correta, pois apresenta uma ideia oposta à do texto. Sabe-se que as redes sociais podem ser perigosas se não as usarmos com cautela e que, de fato, podem ser uma ferramenta mediadora (e anônima) de mentes agressivas e doentias. Existem inúmeros casos de usuários que “caíram na armadilha” de alguém que não conheciam e parecia legal por expor informações pessoais confidenciais, não tomando precauções de segurança necessárias, tais como a filtragem de informações e de fotos a serem publicadas nesse tipo de ambiente. A alternativa (C) também não corresponde à mensagem veiculada no texto. Este trata da aceleração do processo das relações sociais, não se referindo a qualquer desaceleração nesse processo. Se as relações de amizade cresceram com o uso da internet, por que precisariam ser salvas?
A alternativa (D) também não está correta. O texto não faz menção à quantidade de amizades estabelecidas a partir do meio virtual (que partiram do zero) e nem ao número de relações que se estreitaram (que se potencializaram) na vida real. Embora o trecho cite o percentual de 38% de amizades feitas no mundo real através das redes sociais, não explicita a quantidade de usuários que  foram analisados, por exemplo. Esse número pode não ser significativo, se considerarmos todo o
universo de usuários das redes sociais. Dessa forma, conclui-se que a invasão da tecnologia em nossas vidas pode ser potencialmente benéfica quando a utilizarmos com bom senso tanto na vida pessoal quanto profissional. As redes sociais podem contribuir para a construção de uma rede de relacionamentos interessantes e para o resgate de amigos distantes física e temporalmente. O principal é sabermos utilizá-las com cautela, para não expormos questões íntimas e confidenciais de nossas vidas. Há muita divulgação impressa e digital sobre isso. Basta ficarmos ligados.

Referência:
FERRARI, Bruno. Ele sabe tudo sobre você. Revista ÉPOCA, n. 716, fevereiro de 2012. 

QUESTÃO 13 - ENADE COMENTADO - Estética do Modernismo em poemas de Manuel Bandeira - Autor: Ricardo Araújo Barberena

QUESTÃO 13

Texto I
Porquinho-da-Índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Por que o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Texto II
Madrigal tão engraçadinho
Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha v ida,
 inclusive o porquinho-da-índia que me deram quando eu tinha seis anos.

BANDEIRA M. Libertinagem & Estrela da manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2000, p. 36.

Os textos I e II


A. utilizam metalinguagem e temática do cotidiano, que são características da estética do
Modernismo.
B. apresentam características da estética do Modernismo, presentes nos versos livres e na
reescritura de textos clássicos do passado.
C. apresentam concepções diversas em relação à primeira namorada, porque a linguagem do texto I
se aproxima da prosa, ao passo que o texto II mantém a estrutura clássica do madrigal.
D. estão em consonância com a estética do Modernismo, pois são construídos em versos livres e
com linguagem que se aproxima da prosa, características pertinentes a esse estilo literário.
E. afastam-se da estética do Modernismo, pois apresentam distanciamento temporal: o eu lírico,
no texto I, rememora a infância e, no texto II, foca-se no presente.


* Gabarito: D
* Tipo de questão: Escolha simples, com indicação da alternativa correta
* Conteúdos avaliados: Estética do Modernismo em poemas de Manuel Bandeira
* Autor: Ricardo Araújo Barberena
Comentário:
A alternativa (A) está errada porque no texto I e no texto II inexiste a presença de metalinguagem
no que se refere à escritura de um metapoema, ou seja, um poema pautado pela reflexão sobre
a própria arte poética. Quanto à utilização do cotidiano, enquanto temática, poderíamos afirmar
que existe um imaginário nostálgico que remonta o cotidiano infantil (“Quando eu tinha seis anos/
Ganhei um porquinho-da-índia”). Assim sendo, a alternativa (A) aponta para duas características que
verdadeiramente se presentificam no Modernismo, mas os poemas selecionados não constituem
exemplos de metalinguagem.
A alternativa (B) está errada porque em nenhum dos poemas percebemos claramente a
reescritura intertextual de textos clássicos do passado. A alternativa “B” é apenas em parte verdadeira
no tocante à afirmação de que os poemas estão organizados em versos livres. Desse modo, apesar de
associar os poemas ao Modernismo, torna-se falsa devido à inexistência de um exercício intertextual
entre os textos modernos e os textos clássicos.
A alternativa (C) está errada porque o texto I não tematiza objetivamente a primeira namorada
do Eu lírico, mas sim uma lembrança pueril de um animalzinho de estimação que era o companheiro
nos diferentes momentos do cotidiano. Ainda quanto ao conteúdo da alternativa, evidencia-se uma
afirmação errônea sobre a correspondência entre o texto II e a estrutura clássica do madrigal.
A alternativa (D) está correta porque ambos os textos estão em consonância com a estética
do Modernismo (primeira parte da afirmação). Seguindo o conteúdo da afirmação, percebemos que a
referência aos versos livres, enquanto organicidade estrutural dos poemas, também é verdadeira nos
poemas selecionados de Manuel Bandeira. Finalmente, faz-se alusão à ocorrência de uma linguagem
que se aproxima da prosa. No que se refere à hibridização entre verso e prosa, poderíamos selecionar
diferentes excertos para ressaltar como é verdadeira a presença de uma “prosa lírica”: Por que o
bichinho só queria estar debaixo do fogão! / Levava ele pra sala / Pra os lugares mais bonitos mais
limpinhos / Ele não gostava: / Queria era estar debaixo do fogão.
A alternativa E está errada porque os textos, de forma alguma, afastam-se da estética do
Modernismo. Ambos os poemas de Manuel Bandeira são ótimas exemplificações paradigmáticas
dos elementos estéticos presentes numa poética modernista (verso livre, prosa lírica, linguagem
cotidiana etc).