Texto escrito pelo Professor Marcos Pasche da FEUC
segunda-feira, 10 de março de 2014
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Um poema de Primitivo Paes para desejar a todos um "Feliz Natal!"
O NATAL
Primitivo Paes
Eu quero um Natal bonito,
Com festa, muita alegria,
Com bolo, nozes, castanha,
Natal sem hipocrisia,
Sem fome, sem desemprego,
Sem crianças marginais,
Família com mesa farta,
Filhos em torno dos pais.
Quero ver o Betinho
Dando comida para o povo,
Eu sei que ele foi embora...
Quero que volte de novo!
Quero ver os três reis magos,
Na nova festa dos reis,
Distribuindo presentes
Dos quais eu jamais ganhei...
Porque fui menino pobre
Flagelado, tão carente.
Tomara que surja no céu
Nova Estrela do Oriente!
Quero ver a humanidade
Alegre, se dando as mãos,
Formando uma ciranda
Em torno do mundo inteiro
Contra a guerra, pela paz,
Dizendo: "Feliz Natal!"
Nessa grande emoção,
É esse o Natal que eu quero
Dentro do meu coração.
Feliz Natal!
Aluno do 6º período de Inglês - manhã - do Curso de Letras das FIC atua como tradutor em Eventos Internacionais
Fonte: http://www.feuc.br/revista/index.php/2013/12/profissao-vai-e-vem-entre-linguas/
Profissão: ‘vai e vem entre línguas’
Uma breve história de um jovem que já coleciona grandes experiências
Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br
André de Oliveira Nascimento tem 21 anos, cursa o 6º período de Letras/Inglês na FEUC e já tem em seu currículo profissional grandes experiências e histórias para contar.
Fã de Nicholas Sparks, o jovem já atuou ao lado do escritor americano na Bienal do Rio.
(Foto: Arquivo Pessoal)
(Foto: Arquivo Pessoal)
O estudante trabalha como intérprete e tradutor da língua inglesa para algumas empresas do ramo, e seu último orgulho de atuação foi ao lado do romancista estadunidense Nicholas Sparks, escritor de obras famosas como “Querido John” (2007) e “A última música” (2009). Sparks veio ao Brasil em agosto, para a Bienal do Rio, e André foi escalado para fazer a tradução simultânea das falas do escritor para o público do evento.
“Os primeiros livros que eu lia em inglês eram dele. E, então, estava vendo ele ali, ao vivo”, diz André. “Foi uma sensação muito interessante, e traduzir outras pessoas não foi tão especial quanto ele”, revela.
André Nascimento é aluno de Letras/Inglês e trabalha como tradutor simultâneo. (Foto: Arquivo Pessoal)
André também já fez o processo contrário de tradução – do português para o inglês – de outras personalidades como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o cantor Gilberto Gil, além de ter sido intérprete em outros grandes eventos, como a Rio+20.
Para poder ingressar neste universo do vai e vem entre as duas línguas, o estudante explica que é necessário conhecer bem os idiomas: “Comecei a estudar inglês com 10 anos, e traduzia pregadores estrangeiros em minha igreja”, conta André. “Passei a gostar disso e fiz um curso de tradução e interpretação para dominar as técnicas. Depois, entrei na graduação para aprender mais a fundo a gramática e a literatura inglesas e poder seguir com a carreira, que eu vejo como uma vocação de poder ajudar o próximo”, ressalta o estudante.
DEFESAS DE MONOGRAFIA MOVIMENTAM O FIM DO SEMESTRE NO CURSO DE LETRAS DAS FIC
DEFESAS DE MONOGRAFIA
MOVIMENTAM O FIM DO SEMESTRE
NO CURSO DE LETRAS
DAS FIC
As
Coordenadoras do Curso de Letras das FIC Profª. Arlene da Fonseca Figueira e
Profª. Renata Gomes há bastante tempo têm se dedicado a organizar o
calendário de Defesa de Monografias do Curso de Letras das FIC. E, no ano de
2013, especialmente no segundo semestre, esse objetivo tem sido plenamente atingido.
Desde
a última semana de novembro e até o último dia letivo, em dezembro, os alunos e alunas do Curso
de Letras, nas habilitações Português/Espanhol, Português/Literaturas,
Português/Inglês, têm apresentado o resultado de suas pesquisas.
As defesas/apresentações dos
trabalhos monográficos são uma etapa muito importante para a demonstração
pública e para a consolidação do processo de amadurecimento acadêmico dos
nossos alunos e estão cada vez mais prestigiadas e frequentadas pelo corpo
discente, graças à qualidade dos trabalhos e das orientações promovidas pelos
professores do Curso de Letras e ao empenho da Coordenação do Curso de Letras
das FIC, através de suas Coordenadoras, professoras Arlene e Renata, e do
Núcleo de Estudos da Linguagem Poeta Primitivo Paes, em organizar um calendário
e divulgá-lo, com a maior antecedência possível, através de um mural afixado no
pátio da Instituição.
Deve-se destacar que a
defesa/apresentação de monografia vale como horas de atividade complementar,
produz um certificado para o aluno que a apresenta e que é um momento de
congraçamento que coroa a trajetória do aluno empenhado em desenvolver sua
pesquisa e, possivelmente, amadurecê-la para a pós-graduação e/ou para o mestrado
e que é um ato público que pode e deve ser assistido por alunos da Graduação do
Curso de Letras e de outros cursos também. Até mesmo, para servir como
laboratório ou para desmistificar a ideia de que apresentar a monografia seria muito
difícil.
A defesa de monografia é uma grande oportunidade para que outras pessoas,
além do avaliador, possam conhecer o teor dos temas desenvolvidos e pesquisados
pelos alunos de Letras, seja no eixo temático da Linguística aplicada ao
Ensino, seja no eixo de Estudos Literários. Vale destacar que muitos ex-alunos
das FIC, a partir de suas apresentações e dos resultados de suas pesquisas, têm
buscado redimensionar e aprofundar seus estudos em Cursos de Especialização (aproximadamente
um ano de duração) e Mestrado (de dois a dois anos e meio), se utilizando como
base para projetos e pré-projetos das colocações feitas pela banca avaliadora
para o desdobramento de suas pesquisas. Então, mãos à obra.
Mais informações sobre as linhas de pesquisa dos professores do Curso de
Letras das FIC ou sobre Defesa/apresentação de monografias podem ser obtidas no
Núcleo de Estudos da Linguagem Poeta Primitivo Paes das FIC – Prédio A,
Corredor Central, Sala Poeta Primitivo Paes – com os professores Marcos Pasche
e Erivelto Reis durante os plantões do Núcleo.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
NEL PROMOVE IDA DOS ALUNOS DE LETRAS DO 2º AO 7º PERÍODOS AO TEATRO
Rio de Janeiro, 19 de novembro de 2013
O Núcleo de Estudos da Linguagem Poeta Primitivo Paes, da Coordenação do Curso de Letras da FEUC (FIC/RJ), promoveu a ida de seus alunos dos turnos da manhã e da noite ao Teatro do Shopping São Conrado Fashion Mall para assistirem a peça "Simplesmente Eu, Clarice Lispector", monólogo apresentado pela atriz Beth Goulart, que já contabilizou mais de 700.000 espectadores ao longo de cinco anos em cartaz.
O projeto "Hoje é Dia de Teatro", criado pelo Prof. Ms. Erivelto Reis, ocorre há pelo menos 3 anos e, sempre no segundo semestre de cada ano, busca aproximar a vida acadêmica do universo da arte teatral. Neste ano, o projeto contou com a participação dos alunos monitores do 3º período do Curso de Português/Inglês na Disciplina Gêneros Literários do turno da noite: Maria Celeste, Nilson, Carlos e Luciano, que participaram de todas as etapas do desenvolvimento da atividade.
O projeto "Hoje é Dia de Teatro", criado pelo Prof. Ms. Erivelto Reis, ocorre há pelo menos 3 anos e, sempre no segundo semestre de cada ano, busca aproximar a vida acadêmica do universo da arte teatral. Neste ano, o projeto contou com a participação dos alunos monitores do 3º período do Curso de Português/Inglês na Disciplina Gêneros Literários do turno da noite: Maria Celeste, Nilson, Carlos e Luciano, que participaram de todas as etapas do desenvolvimento da atividade.
O espetáculo foi escolhido pelos alunos e mais de 60 pessoas aderiram ao projeto que disponibilizou um quantitativo de vagas distribuídas proporcionalmente entre as turmas, entre alunos, professores e funcionários puderam se emocionar com o monólogo apresentado. Ao final do espetáculo, informada da presença dos alunos das FIC, a atriz fez um breve pronunciamento em favor da Cultura, da Arte e da Educação e destacou a importância da valorização dos professores.
Os alunos se mostraram muito entusiasmados e bem dispostos e, depois do espetáculo, muitos se declararam emocionados e mais motivados ainda a buscar, através da integração entre a pesquisa acadêmica e a arte, os seus objetivos pessoais e profissionais.
Os alunos se mostraram muito entusiasmados e bem dispostos e, depois do espetáculo, muitos se declararam emocionados e mais motivados ainda a buscar, através da integração entre a pesquisa acadêmica e a arte, os seus objetivos pessoais e profissionais.
A seguir, algumas fotos do evento:
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
NOTÍCIAS
DO I CICLO DE APRESENTAÇÃO DE MONOGRAFIAS DOS CURSOS DE LETRAS DA FEUC
Na
última quinta-feira, dia 14 de novembro de 2013, realizou-se o I Ciclo de
Apresentação de Monografias dos Cursos de Letras da Feuc. O evento, que tem o
objetivo de informar e estimular os graduandos de Letras ao trabalho com
pesquisa, contou com a participação de ex-alunos que compuseram monografias
aprovadas com distinção quando de seus exames.
O
Ciclo foi dividido nos dois turnos em que o curso de Letras é oferecido. Pela
manhã, Natália Coelho Chaves apresentou “O feio não entra: análise do ethos da família em campanhas de
publicidade de seguros de vida bancários”, orientado pelo Prof. Dr. Adriano
Oliveira Santos. Presentes à sessão, as coordenadoras do curso de Letras –
professoras Arlene da Fonseca Figueira e Renata Gomes promoveram um debate
pautado tanto pelo assunto do trabalho apresentado quanto por questões
referentes à produção de monografias.
No
turno da noite houve quatro intervenções, e a importância do encontro foi tão
assimilada pelo público presente que nem mesmo a breve falta de luz ocorrida na
sala de multimídia foi capaz de provocar dispersão. As comunicações foram
abertas por Tiago de França Soares Coutinho, com o trabalho “O valor pejorativo
do sufixo ‘inho(a)’ nas manchetes do jornal Meia-hora
de Notícias”, ao qual se seguiu a exibição de “A personificação como
recurso linguístico-discursivo na propaganda publicitária”, de Gislana
Colinques Mayrinck, sendo os dois também orientados pelo professor Adriano
Santos. Na sequência, Priscila Helena S. de O. Salvador falou sobre a
monografia “Uma análise comparativa entre os discursos religiosos do Pr.
Jonathan Edwards e Pe. Antônio Vieira nas respectivas colônias norte-americana
e brasileira”, que recebeu orientação da Profª. Ms. Renata de Souza Gomes. As
apresentações foram concluídas com “As influências sintáticas do Português (L1)
na aquisição do Inglês (L2): um estudo de casos”, de Victor Ramos da Silva,
recém-formado pela Feuc e já mestrando em Linguística na UFF. O trabalho de
Victor foi orientado pela Profª. Drª. Lia Santos de Oliveira Martins.
A
sessão noturna contou com a presença das professoras de Inglês Ana Paula
Cypriano e Simone Caldas, do professor Marcos Pasche, de Literatura, e da
coordenadora de Letras Arlene da Fonseca Figueira, professora de Linguística.
Em diversos momentos da ocasião, os professores intervieram, ora para fazer
perguntas aos que se apresentavam, ora para comentar questões surgidas a partir
das perguntas feitas pelos alunos da plateia. Ao final, os docentes reforçaram,
em conjunto, a importância de compreender a tarefa da monografia como trabalho
de pesquisa a ser iniciada bem antes do prazo de apresentação. Também se
destacou o quanto a monografia pode ser frutífera para o aprimoramento da
escrita e para a construção da mentalidade crítica, pois mesmo os pequenos
recortes podem propiciar amplas leituras da realidade.
O envolvimento com a
monografia é decisivo para a boa formação de um aluno que se prepara tanto para
encarar a sala de aula quanto para dar prosseguimento à jornada universitária,
trilhando o caminho da pós-graduação. Agora que você já sabe disso, nós
esperamos ver, em breve, o seu nome figurar entre os que retornarão à Faculdade
para apresentar trabalhos de excelência. E se você ainda tiver dúvidas a
respeito do momento ideal para elaborar a monografia, saiba que ele já chegou:
é agora.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
PARA OUVIR E CONHECER UM POUQUINHO DE QUEM FOI PRIMITIVO PAES - POETA QUE DÁ NOME AO NÚCLEO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM DO CURSO DE LETRAS DAS FIC
O Núcleo de Estudo da Linguagem NEL (FIC/RJ), da Coordenação do Curso de Letras passou a ser denominado Núcleo de Estudos da Linguagem Poeta Primitivo Paes em homenagem ao grande Poeta declamador Primitivo Paes, um importante poeta pernambucano radicado no Rio de Janeiro e que, há muito tempo, participava dos eventos culturais promovidos pelas FIC.
Em janeiro de 2013 o poeta nos deixou e, em sua homenagem, tanto a sala onde já estava instalado o Núcleo como o próprio Núcleo receberam o nome do querido e inesquecível poeta. Em nossos auditórios, durante as diversas Semanas de Letras das quais participou, o poeta sempre apresentava um novo trabalho como declamador e ator.
Além de seus próprios poemas ("As Cartas", "Criança Perdida", "Carro de Boi", "Fazenda Santa Amélia", "Escuta Pai", "Segredo", "Medo", "Terceiro Sorriso", "Aniversário", "Coisas Bobas", entre tantos outros), declamava poemas de seus amigos e dos poetas consagrados como Carlos Drummond de Andrade ("José" e "Confidência do Itabirano"), Manuel Bandeira ("A Velha Chácara" e "Desencanto"), Mario Quintana ("Dorme Ruazinha", "Recordo Ainda" e "Poeminha do Menino Doente"), Patativa do Assaré, Thiago de Mello, Jorge de Lima, Alberto da Costa e Silva, Cecília Meirelles e muitos outros.
Durante a Semana de Letras 2013, além de uma exposição de pôsteres contendo uma pesquisa biobibliográfica sobre o Poeta, foi pronunciada uma palestra intitulada "A poética da Liberdade na Obra de Primitivo Paes", de autoria do Prof. Ms. Erivelto Reis, amigo e admirador do poeta, de quem sempre recebeu muito incentivo. Esta palestra contou com a presença da Profª. Drª. Arlene da Fonseca Figueira que proferiu emocionada algumas considerações importantes sobre o Poeta de quem se tornara amiga alguns anos antes. Assim, o Núcleo de Estudos da Linguagem e a sala que o abriga receberam o nome do Poeta. Na ocasião, compareceram as filhas do Poeta, Joelma e Adriana e seus netos e familiares. Destaque-se que os professores do Curso de Letras foram consultados e consideraram como justa e merecida a homenagem.
A seguir, alguns links e imagens do poeta, para quem não teve a oportunidade de conhecê-lo e para os que quiserem matar a saudade.
Capa do CD gravado por alunos das FIC. Aqui o poeta concede uma entrevista declarando toda sua alegria em participar dos eventos da Instituição. Acervo do NEL. O áudio deste CD em breve estará disponível.
Capa do primeiro CD do Poeta. Mais de 1000 cópias distribuídas gratuitamente às escolas que o poeta visitava. Assim como centenas de livros doados em suas 1100 apresentações públicas em escolas, faculdades, teatros e eventos poéticos.
Profª. Drª. Arlene da Fonseca Figueira, Coordenadora de Ensino da FEUC , do Curso de Letras e do Núcleo de Estudos da Linguagem, proferindo algumas considerações durante a solenidade de apresentação do novo nome do Núcleo.
BLOG DO POETA PRIMITIVO PAES:
VÍDEOS DO POETA NO YOUTUBE:
NECROLÓGIO DE PRIMITIVO PAES
Por Erivelto Reis
No dia 19-01-2013, em Campo Grande, Rio de Janeiro, faleceu o poeta e ator Primitivo Paes. Nascido em Pernambuco em 28-05-1928, Filho de José Pais da Silva e Maria Florentina da Silva, deixa duas filhas, Joelma e Adriana, dois genros, Cândido e Anderson, e três netos, Tiago, Diego e Derick. Publicou um livro em 2004, intitulado "Livro de Poemas". Começou a escrever poemas aos 55 anos de idade e, desde então, até o último dia de sua vida foi um grande admirador da poesia. Dos autores clássicos aos poemas escritos por estudantes, sempre valorizou a palavra, o lirismo e o encantamento das ideias e emoções expressas em versos.
Foi lavrador, operário, sindicalista e desde o ano de 1999, era formado como ator. Viveu no Paraná, em São Paulo e, há mais de 30 anos, morava no Rio da Prata, Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde estabeleceu residência e formou um lindo lar.
Após a Revolução de 1964, foi cassado por exercer a função de Primeiro Secretário do Sindicato das Indústrias de Café, Leite e Derivados do Estado de São Paulo. A partir daí, e até a Anistia, passou a exercer profissões as mais diversas, sempre clandestino, a fim de preservar sua integridade e a de sua família.
No ano de 1955, viajou por toda a Europa oriental, China e antiga União Soviética. Conheceu os países da chamada “Cortina de Ferro”, integrantes do bloco socialista. Era o Segundo Encontro Internacional da Juventude Socialista. O livro do jornalista Flávio Moreira “Além das Torres do Kremlin”, narra essa viagem. Ali, encontram-se os detalhes e percalços da viagem. Primitivo ocupa lugar de destaque na narrativa ao lado de figuras como o poeta Solano Trindade e o ator José Serber.
O convite para integrar essa comitiva partiu de sua destacada atuação política durante a fundação e emancipação da cidade paulista de Mirante do Paranapanema, no oeste paulista (1953), a qual junto com seus irmãos, ajudou a fundar e que, diversas vezes, teve a oportunidade de tê-lo em seus palanques como defensor da democracia e da reforma agrária. Aquele caboclo bonito, (filho de holandês com uma descendente pernambucana da tribo dos Pankararus), camponês, lavrador - vindo de Pernambuco em busca de trabalho, tentando “fazer a vida no sul”, trabalhando nas terras das famílias de latifundiários japoneses da cidade, era articulado, firme e claro em suas palavras e, já àquela época, somando-se ao pensamento libertador das Ligas Camponesas pernambucanas, bradava por novos rumos em relação ao latifúndio e à distribuição de terras.
No retorno de sua viagem à Europa e aos países socialistas, Começa a trabalhar como operário, numa empresa de torrefação. Logo se destaca por sua capacidade de articulação e por seu carisma. A sua posse como Primeiro Secretário do Sindicato, coincide com o período da Revolução de 1964. Casa-se no ano de 1965, aos 37 anos, na cidade de Medianeira, estado do Paraná, onde nasceu sua primeira filha. Os “novos ventos da política” o haviam levado, por questão de sobrevivência, literalmente, àquela cidade, na qual exerceu a função de gerente de um hotel-pousada. Sempre fruto de sua articulação, de sua educação impecável e de seu traquejo social.
De volta a São Paulo, nasce sua segunda filha. Primitivo Paes trabalhou como soldador na Viação Cometa, (ali ele fez, com parafusos e restos de chapas de metal, o seu primeiro carro de boi), chegou a ser preso em meados da década de 70. Levado para uma espécie de "subsede" da OBAN, foi torturado, baleado na perna e, após permanecer 30 dias preso foi libertado. Esteve sempre encarregado de receber e articular eventos, shows e comícios do sindicato. O que o colocou, como Primeiro Secretário, em convívio constante com outros sindicatos e sindicalistas e com intelectuais e artistas de esquerda do Brasil que circularam ou militaram em São Paulo.
Com o cerco repentino realizado a sua casa, em São Paulo, deixa tudo para trás e muda-se com esposa e filhas, sem nada mais, para o Rio de Janeiro. Vive em Madureira, Todos os Santos, Méier, Engenho de Dentro, em casas de parentes já radicados aqui no Rio, até fixar-se no Rio da Prata, em Campo Grande. Lutou até o último dia de sua vida por igualdade, liberdade, democracia e direitos humanos. Foi um defensor da infância e da autonomia cultural e intelectual das crianças e dos jovens. Dizia querer ter sido professor. Era querido e admirado por seus vizinhos. Ajudou a fundar a Associação de moradores do Jardim Álvaro Campelo, no Rio da Prata.
Em Campo Grande, na transição entre o final dos anos 70 e início dos anos 80, começa a trabalhar como porteiro, fiscal de patrimônio e obras da Empresa Irmãos Araújo & CIA. Pouco tempo depois, sempre devido ao seu carisma e sua competência na articulação das palavras, é convidado para trabalhar no escritório central da empresa, na Praça Seca. Nesse período, o poeta divorcia-se. Trabalhou, também, como vigia, nas casas Magal. Aí, nesse período, após extrair um tumor na próstata, aos 55 anos de idade, começa a escrever poemas.
De forma tímida e secreta, a princípio. Pouco tempo depois, é aposentado como anistiado político. Nesse período, tem um descolamento de retina conhecido como “véu de noiva” ou “sanfonado” que faz com que perca a visão no olho direito. O poeta passa a ler com a ajuda de uma lupa. Para memorizar os poemas, ele os lê com a lupa, grava-os em um gravador portátil e os ouve e repete até memorizá-los. Só então é que os apresentava com sua interpretação forte, teatral, carregada de gestos e expressão corporal e facial.
Durante toda a sua carreira, criou poemas em estilo naïf (segundo o dicionário Houaiss: "diz-se de ou certo tipo de pintura, escultura etc. espontânea e autodidata, desvinculada de escolas convencionais, que resulta em composições primitivas, ger. detalhadas e de fácil compreensão."). Era um artista com uma voz muito bonita, impostada, forte, encorpada e grave nos vocábulos tônicos e algo metálica, com algum sotaque, ainda de Pernambuco, nas sílabas finais de cada palavra.
Seus temas giravam em torno de questões relacionadas aos direitos humanos, à infância, sua idealização ou a memória dela, os espaços onde viveu e por onde passou, homenagens aos amigos e poetas dos quais gostava, homenagens aos familiares, à idealização da vida no campo, algum humor no modo de ver a vida, a saudade e a melancolia provenientes da morte e da partida. Inicialmente, compôs poemas algo críticos em relação a temáticas religiosas, mas na fase final de sua carreira, o diálogo direto com um interlocutor sagrado aparece em muitos poemas, assim como a consciência lírica da finitude do tempo, do seu próprio tempo.
Como ator e poeta, formado no final da década de 90, no Teatro Arthur Azevedo, Método de Teatro Laboratório, começa a se apresentar declamando seus poemas em todo o Estado do Rio de Janeiro. Chegou à impressionante marca de mais de 1100 apresentações em escolas, creches, teatros, praças públicas, programas de rádio, faculdades e eventos poéticos em todo o Estado do Rio de Janeiro. Foi finalista do prêmio Talentos da Maturidade do Banco Real em 2003. Recebeu inúmeras homenagens. Ainda em 2003, lançou um CD de poemas intitulado “São poemas”. Chegou a produzir e distribuir duas mil cópias dessa obra. Apresentou-se, em 2002, no Centro Cultural de Santa Cruz, no encerramento oficial pelas comemorações do centenário do poeta Carlos Drummond de Andrade, de quem declamava “José” e “Confidência do Itabirano”.
Constantemente, era convidado para integrar a banca de jurados em festivais escolares de poesia, festivais escolares de teatro, ou se apresentar como atração especial durante estes eventos. Em 2008, integra, a convite da poetisa Denize Vieira, o corpo de Jurados do Festival Nacional de Poesia produzido pela FNAC em parceria com a Revista Day By Night. A final do concurso ocorreu no auditório Magalhães Jr. da Academia Brasileira de Letras.
Com o falecido poeta Nilton Silva, em 2007, homenageou o poeta Manuel Bandeira, na Associação das Academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro. Teve poemas seus publicados nos jornais “O Amarelinho”, de Campo Grande e “O Guarazão”, da Região de Guaratiba. Embora não fosse um cordelista, pela figura de caboclo e pela simplicidade e naturalidade de seus versos, frequentemente sua poesia era associada à Literatura de Cordel. A capa de seu primeiro livro trazia um carro de boi, título de um de seus poemas e símbolo desse caminhar constante do homem simples do interior do Brasil em busca da felicidade.
Em 2007, apresentou-se ao lado de Poetas oriundos da Guiné-Bissau durante o X Fórum de Responsabilidade Social na FEUC, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Participou das XVI, XVII, XVIII, XIX, XX e XXI edições da Semana de Letras da FEUC. Em 2009, participou da I Mostra de Poesia Brasileira de Maricá. Em 2008, participou de uma Exposição de Artes Plásticas e Poesias no Centro Cultural Ariano Suassuna, na Barra da Tijuca. Em 2010, suas poesias ficaram em exposição no aeroporto Internacional ao lado de obras de artes plásticas. Integrou uma exposição fotográfica repleta de personalidades da Zona Oeste organizada por Malu Ravagnani e Hélcio Peynado. Participou do documentário para o Show "Sucesso" de Néris Cavalcante.
Escreveu orelhas, prefácios e apresentações de livros de inúmeros autores da Zona Oeste. Homenageou a diversos autores com poemas seus, ou com a declamação de poemas destes autores. Recebeu, em 2005, indicado por Roberto Sobral, a Medalha de Honra ao Mérito da Associação dos Taifeiros da Armada, da Marinha do Brasil.
Convidado por Júlio Corrêa, participou do Festival Nacional de Poesia em homenagem ao falecido poeta Roberto Sobral, na Casa do Marinheiro entre 2008 e 2010. Em 2006, integrou a caravana de autores que fizeram a I Feira do Livro de Paracambi. Manhã poética na Cidade de Mendes, interior do Rio de Janeiro. Participou do grupo de Teatro Holístico ao lado de Cláudio Freire e Paulo D’Athayde.
Primitivo Paes foi caricaturado por Fernando Teixeira para o Livro Personalicaturas 2 (2005) e foi uma das personalidades homenageadas com fotos e biografia na obra Personalidades do Estado (2012) ambas publicadas pela escritora e poetisa Nancília Pereira. Também recebeu o prêmio Expressão Cultural, como poeta declamador pela coordenadoria regional de cultura.
No ano de 2011, a FEUC, importante faculdade de Campo Grande, produziu um CD com poemas de Primitivo Paes e Fernando Pessoa, gravados por alunos da Instituição. Nessa ocasião o poeta foi entrevistado e gravou poemas inéditos também. Ainda na FEUC, desde 2007, o poeta participava de todos os eventos produzidos pela Instituição em seus diversos cursos e, em especial, nas Semanas de Letras, nas quais sempre apresentava um novo espetáculo, uma nova performance poética e teatral.
Primitivo Paes foi premiado e homenageado inúmeras vezes. Seus poemas constam de inúmeras antologias, agendas e revistas literárias. De 2003 a 2011, participou de todas as Bienais Internacionais do Livro no Rio de Janeiro. Sempre com destaque como declamador. E pela simplicidade e beleza de suas composições. Primitivo participou e/ou prestigiou quase todos os grupos organizados de artistas e poetas do Rio de Janeiro. Trabalhava, quando de seu falecimento, na diagramação e na confecção da capa de seu segundo livro: Prosoemas.
Participou de eventos no ICC, Instituto Campo-grandense de Cultura, Academia de Música Dineyar Valente Plaza, SINPRO RJ – Sede e Subsede Campo Grande –, nas Faculdades FEUC, Moacyr Bastos, Machado de Assis, Castelo Branco, Universidade Rural e Universidade Federal do Rio de Janeiro, Zona Oeste fazendo arte, Semana Santa em Santa Tereza, Final do I Concurso de Poesia da Revista Day by Night. Bienal do Livro no Riocentro 2007, 2009 e 2011 pela APPEERJ/Oficina Editores. Participou e/ou frequentou os seguintes grupos e encontros poéticos: Cantar poético no Jardim do Teatro Arthur Azevedo, Bom Dia, Poesia; Pedra Pura Poesia, Circuito Literário Conversa Com Verso (do qual chegou a ser eleito coordenador), Vintém de Cobre, Passeando pela Poesia, Casa do Poeta, Poeta, Saia da Gaveta, Poveb, Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, Terça com Verso no Café, Bar 51, Quintal da Poesia, Academia Brasileira de Cordel, Associação das Academias de Letras do Rio de Janeiro, Ciranda Cultural de Pedra de Guaratiba. Sarau poético da OAB em Niterói.
Era conhecido, além do porte sempre elegante, da barba sempre bem feita, “escanhoada”, como ele próprio definia, por declamar com sua bela e potente voz os poemas de cor. Não gostava do uso da expressão “decorados”, trazia os poemas memorizados. E, em seu repertório de textos, constavam, pelo menos, Cinquenta poemas. Não apenas os seus, mas de autores conhecidos como Drummond, Bandeira, Quintana, Patativa do Assaré, Castro Alves, como dos novos talentos da poesia e, em especial, de seus amigos poetas e poetisas. Dizia os textos de seus amigos e conhecidos para homenageá-los, numa forma de demonstrar amor ao amigo, de quem dizia o texto, e sempre, à poesia.
A morte do poeta é uma perda incomensurável para seus familiares, amigos e admiradores. O poeta foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade em Paciência no dia 20 de janeiro de 2013, dia do padroeiro da cidade a que ele tanto amava. Foi uma manhã que mesclou sol, o tempo nublado e depois, a chuva. Uma manhã de lágrimas, tristeza profunda e a saudade desse irmão, pai, poeta, avô, amigo inesquecível pela pureza de seus gestos, pela nobreza de seus ideais e de seu coração e pelo carinho que devotou aos amigos, familiares e à poesia. Certeza plena de que Primitivo Paes descansa ao lado de Deus, num céu de anjos e paz eterna.
Eu, Erivelto Reis, que o acompanhei como admirador e amigo, por quase 15 anos, pelos últimos 14 anos de sua carreira, frequentando sua casa, tendo o privilégio de sua amizade, me apresentando ao seu lado, acompanhando os bastidores de sua criação literária e poética, a ele devo muito. Por ele sofro muito. Perdi um amigo incomparável e inigualável. Perdi um incentivador, um crítico delicado, um mestre na vida, na minha profissão como professor, na minha carreira como escritor. Perdi mais que um pai. Agora, restam a saudade, a memória de nosso convívio muito feliz e agradável durante todo esse tempo e a beleza de seu exemplo de respeito a todos e de amor aos familiares, amigos e à Literatura.
Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2013.
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